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terça-feira, 28 de junho de 2011

It's getting better all the time...

Better, better, better...

Com o final da químio, o dr. Anderson me encaminhou pra radioterapia, indicando o médico André Rego, do Hospital Santa Lúcia. Não poderia ter sido melhor. Adorei a primeira consulta com o radioterapeuta: ele foi claro, atencioso, esclarecedor, muito simpático e extremamente positivo. Senti a maior confiança e a identificação foi imediata!
Marcou a tomografia e o Raio X pra mesma semana. A partir deles e do histórico do caso seria feita a programação do tratamento.
Minha grande preocupação no período entre a quimioterapia e a radioterapia era a cicatrização de parte do corte - a que havia apresentado um pouco de necrópsia -, que continuava complicada, desde a cirurgia de 5 de fevereiro. A radiação seria também e quase que principalmente no local desse corte. Tinha cerca de 15 dias pra estar tudo "fechadinho", do contrário, não poderia começar a radioterapia, o que atrapalharia o tratamento, pois há um prazo entre o final da químio e o início da rádio. Nesse meio tempo, estaria de férias por dez dias.
Feita a tomografia e o Raio X, marcados os pontos no meu corpo que indicariam a posição para o tratamento (depois detalho isso), fui pra Sampa, curtir a família.
Incrível como nesses dez a 15 dias o corte cicatrizou tudo o que não tinha cicatrizado em quase cinco meses! Todos os dias, quando acordava, olhava o corte e não acreditava que o "negócio" melhorava a cada dia. Por isso o "getting better all the time... better, better, better...".
Quando voltei de Sampa, já com a consulta marcada, estava pronta pra começar, efetivamente, mais uma fase muito importante do tratamento: a radioterapia.



“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou. Mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo... Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente. Não temos tempo a perder.” - Renato Russo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Supremo

Como se tornou um “clássico pós-QT”, não poderia faltar o bom e velho supremo de frango. Desta vez, tipo “drive thru”, pois a tal fadiga oncológica estava adiantada e o sono não permitiria almoçar no restaurante - certamente, eu cairia de boca no prato... de boca, nariz, bochecha...
Hummm... almocinho gostoso pra comemorar o fim da químio e... queda livre nos braços aconchegantes de Morpheu!

A curiosidade dessa última sessão foi que eu estava bem rigorosa quanto à alimentação, cuidados com alimentos, higiene em geral e evitando qualquer coisa que afetasse o orgulho dos leucócitos, já que minha imunidade voltaria a ficar baixa. Desde o susto com a internação, depois da 2ª QT, meu carinho e xodó com os glóbulos brancos tinha redobrado.
Então, como obedeço a Lei de Murphy, acabei usando, sem querer, a escova de dentes da Natália, parecida com a minha. Credo! Tanta frescura nos cuidados e eu dou uma dessa... Ainda bem que ela é “limpinha”... re re re... Nada de comprometimento com a imunidade.
Família que come supremo unida, permanece... gordinha!

ÚLTIMA QUÍMIO !!!

Convocadas pra acompanhamento à “titia” as queridas sobrinhas, quase filhas, Isa e Natália. Chegaram de São Paulo carregadas de sopa congelada de feijão da dona Mafalda, legumes cozidos e outras coisinhas, também congeladas. Afinal, precisava de alimentos com ferro e nutrientes pra que os leucócitos ficassem bem calminhos e não se suicidassem, após a químio. E nada como o feijãozinho com tempero de mamãe, né mesmo?
Na véspera, o tradicional exame de sangue pra ver como andavam as plaquetas. Expectativa SEMPRE, até o final da tarde, pra saber se estaria tudo bem pra QT.
Valeu muito a dica da minha amiga e exemplo Eliane D´Aloísio, pra que as “veinhas” (veias e não “véias”)  ficassem menos tímidas e fugitivas: mergulhar braço e mão numa bacia com chá de camomila morno. Além do mais, diminuem as manchinhas roxas de veias cansadinhas pelo uso. Funcionou!
Durante a aplicação, muitos papos interessantes com colegas também em tratamento. Troca de dicas, informações práticas e novas amizades. Desta vez, conheci a Carla, uma psicóloga bem alto astral, que já terminou o tratamento mas faz aplicação de medicamentos esporadicamente. Ela participa de um grupo de mulheres que troca  experiências sobre o câncer de mama. Vamos ver se dá certo de eu ir um dia e conhecer o trabalho.

ACABOU! A última QT tinha de ter uma foto comemorativa: SAÍDA!
Carla, Paola, Meg, Fátima e Magna



"Há duas maneiras de viver uma vida. A primeira é pensar que nada é um milagre. A segunda é pensar que tudo é um milagre. Do que estou seguro é que Deus existe." Albert Einstein

domingo, 15 de maio de 2011

São Peregrino, o protetor de quem tem câncer

E já que estamos no campo religioso e nas coincidências, minha mãe descobriu o Santo protetor das pessoas com câncer: São Peregrino. Ela soube de sua existência através de uma amiga, que viajava no mesmo grupo, numa visita à Basílica de Nossa Sra. Aparecida, na cidade de Aparecida, Interior de São Paulo. Essa visita aconteceu no dia 1º de maio, domingo. Por incrível que pareça, coincidentemente, era Dia de São Peregrino.

Algumas das imagens disponíveis na internet


Um pouco da História de São Peregrino - Ele nasceu na cidade de Forli, na Itália, em 1282. Domava de maneira extraordinária o corpo com vigílias e jejuns. Por trinta anos nunca foi visto sentar-se, comia sempre de pé e rezava ajoelhado. Um inchaço numa perna provocou uma chaga infecciosa e eram graves suas dores e debilidade física. Passou a viver isolado e suportava a enfermidade e o sofrimento com ânimo forte: “Quando sou fraco, então é que sou forte”. Na véspera de amputar a perna, para evitar que a doença se espalhasse e após uma noite de orações, adormeceu e, no sono, viu Jesus descer da cruz e curar a perna. Ao acordar, a perna estava curada. Peregrino morreu em 1362, aos oitenta anos. Em 1726 a Santa Sé aprovou três milagres atribuídos a São Peregrino. No mesmo ano, o papa Bento XIII elevou Peregrino a Santo. 

Santa Ágata, mais uma descoberta no Google

Não sabia, mas existe uma santa protetora das mulheres com câncer de mama: Santa Ágata, que também é a padroeira dos mastologistas. E o nome Ágata era um dos pseudônimos da minha avó Luizinha Lima, que era poetiza.
Mas uma coincidência me deixou arrepiada: o dia dedicado à Santa Ágata, também Dia da Mamografia, é 5 de fevereiro, exatamente o dia em que realizei minha cirurgia de quadrantectomia.

Um pouco da (chocante) História de Santa Ágata - Ela era uma bela jovem senhora nascida na Catânia, Itália. O cônsul Quitilhiano tentou persuadi-la para que fosse sua esposa. Ao recusar-se, para defender sua pureza e castidade, foi amarrada a uma árvore e teve suas mamas amputadas a ferro quente. Conta-se que na manhã seguinte recebeu a visita de São Pedro e de um anjo que lhe reconstituíram as mamas. Quando o cônsul soube, mandou queimá-la. Um ano após sua morte, o vulcão Etna entrou em erupção e diz-se que o véu funerário de Ágata salvou a cidade de Catânia. Foi elevada a Santa e hoje é a padroeira da mastologia e das pacientes de câncer mamário. Seu dia, 5 de fevereiro, é tido, desde 2009, como o dia nacional da mamografia.


     
 Algumas das imagens disponíveis na internet

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das Mães

Com mamãe e Beth no almoço do Dia das Mães, em Brasília, mais exatamente no Pontão do Lago Sul. Raptei as duas pra mim e deixei minhas sobrinhas de mão abanando em São Paulo. No final do dia, uma surpresa muito cut cut: recebemos do Angelo, meu amado sobrinho, um vídeo MARAVILHOSO com homenagem às mães, produzido por ele mesmo! 

"Viver é sempre dizer aos outros o quanto eles são importantes. Porque um dia eles se vão e ficamos com a nítida impressão de que não amamos o suficiente". Chico Xavier

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A 3ª QT

Na véspera, pela manhã, exames de sangue pra ver como andavam os adorados e enjoadinhos leucócitos, as hemoglobinas, os linfócitos, as hemácias e as importantes e decisivas plaquetas, que são a principal indicação de se fazer ou não a químio. Mais picadinhas - no plural, por razões já conhecidas. Até o final da tarde, expectativa pra ver os resultados, depois do sustão que os glóbulos brancos tinham me dado após a sessão anterior.
Minha mãe chegou na hora do almoço, fui pegá-la no aeroporto, almoçamos em casa e eu fui trabalhar.
Na manhã seguinte, já estávamos na Acreditar pra penúltima sessão da quimioterapia. Pesa daqui, mede a pressão de lá e longa consulta relaxante com o dr. Anderson - sempre uma boa e produtiva prosa. Depois, os mesmos procedimentos das outras vezes: punciona aqui, acolá... mais picadinhas, mais amiguinhas na sala de aplicação, sonolência incontrolável, cochilo básico e o carinho de sempre do pessoal da enfermagem.
Saímos de lá e fomos pro aeroporto pegar a Big Sister Beth, que não pôde vir na véspera. Adivinha onde e o que fomos almoçar! Quem acertar ganha um... supremo de frango! Xi, falei! Suspensa a premiação.

Companhia e colinho da mamãe (ela tá linda nessa foto, né?)


Santusa (com as gêmeas crescendo na barriguinha), Régis (“o caçador das veias perdidas”) e Maria 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Por que me tratar em Brasília?

Aposto como muita gente está pensando: “Mas por que fazer cirurgia e tratamento em Brasília e não em São Paulo, sua terra natal e que tem uma área médica de referência na América Latina?”. Talvez, se não conhecesse médicos, hospitais, clínicas e laboratórios do Planalto Central, eu mesma estivesse me fazendo a mesma pergunta. Pra tranquilidade geral da Nação, informo que estou sendo muitíssimo bem tratada e não me arrependo nadica de ter optado por Brasília, onde tenho tido atendimento super personalizado.
Isso sem contar que pude continuar trabalhando (quem me conhece sabe que sou workaholic), o que me ajudou muito no sentido de não ficar matutando e sofrendo em casa, com a cabeça cheia de bobagem.
Quanto à família, o fato de estar em Brasília trouxe um pouco mais de apreensão pela distância, mas não deixei de viajar pra Sampa e estar um pouquinho com cada um. Mãe, irmã e sobrinhas também estiveram muitas vezes comigo em BSB.
Ligação com Brasília
Vejam só as raízes. Minha querida vovó Luizinha fez questão de conhecer a Capital Federal tão logo ela foi inaugurada. Ela, minha madrinha Tilete (Luizete) e meu padrinho Arnaldo viajaram (de ônibus) pra conhecer a nova Capital em setembro de 1960, cinco meses após JK inaugurá-la.
Luizinha e Arnaldo, com o Congresso Nacional (Senado) ao fundo

Tilete e Arnaldo, com o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados) ao fundo
Todo o grupo da viagem reunido, tendo ao fundo o Palácio da Alvorada


Congresso Nacional - Anos 60


Este é o poema que minha avó fez pra Brasília, depois de conhecer a Capital. Ela ficou encantada...

Brasília

Avante, oh! povo brasileiro!

Que a estrada se abre neste instante.
Acrópole, escudo no futuro,
Serás tu, Brasília, triunfante!

Caminha, oh! gente brasileira!
Sempre confiante no porvir.
Ainda tens na têmpera, altaneiro,
O sangue de uma raça varonil.

Lá seguem caravanas ao sertão
Sentir e ver de perto a maravilha
E fruto de uma raça arrojada,
Que hoje se transforma em Brasília.

Luiza Lima Biasotto
Setembro de 1960

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Em Sampa, comidinha caprichada

Beth e eu chegamos em Sampa com uma recepção VIP e gastronômica da dona Mafalda, a mãezona. Uma mesa hiper saudável, com reforço alimentar de sopinha de feijão, tomate sem casca, beterraba, brócolis, carne e outras coisinhas pros leucócitos voltarem definitivamente à ativa.
Sim, também havia guloseimas, que ninguém é de ferro (como o feijão, a beterraba, o brócolis e as carnes... re re re...).

 


sábado, 16 de abril de 2011

“Aham, Cláudia! Senta lá!”

Perguntei à médica do PS a que horas eu sairia e ela disse:
- Horas? Não! Pelo protocolo desse tipo de caso você deve ficar internada uma semana!
- O quê? Mas nós estamos com passagem pra São Paulo daqui a quatro dias! Desculpe, mas eu não posso ficar tanto tempo.
Até parece que minha observação mudou a decisão ou a importância que a médica deu à viagem a Sampa.  Me senti a própria "Cláudia" - uma das pérolas da Xuxa: “Aham, Cláudia! Senta lá!”. .

* A loira não tá nem aí. Não dá a mínima pra coitada da Cláudia... re re re

Febrão de 39º e internação

Na sexta à noite, 15 de abril, voltei a ficar meio derrubadinha e a febre começou a subir: 37,7 graus, o limite pra ligar pro médico. Depois de um “banhão”, fiquei melhorzinha e com a esperança de que a febre iria baixar nas horas seguintes. E baixou: amanheci com “os termômetros registrando” 37 graus (não é plágio de previsão do tempo, mas é que utilizei dois termômetros mesmo, pra garantir).
Porém... lá pela uma da tarde, medi a temperatura e levei um susto: 39 graus! Liguei na mesma hora pro dr. Arturo, que me orientou a correr pro pronto socorro e me ligar de lá quando fosse atendida, já ao lado do médico, pra saber sobre o quadro e orientar a condução das ações.
A Beth, que ainda estava em Brasília, me levou ao pronto socorro, que é bem perto de casa. Fui atendida imediatamente por uma médica super atenciosa e competente. Mais uma picadinha pra exames de sangue. Quando ficaram prontos, o resultado que já era esperado: leucopenia, ou seja, enorme queda de leucócitos (que também atendem pela alcunha de “glóbulos brancos”). Podia ser alguma infecção escondidinha ou reação da própria químio. Mas tudo indicava que se tratava de infecção proveniente da demorada cicatrização de parte do corte na mama esquerda – cirurgia de 5 de fevereiro.


“Lembre-se da sabedoria da água: ela nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."

sexta-feira, 8 de abril de 2011

QT nº 2

Roteiro da véspera: Laboratório Sabin, picadinha(s) e espera pelo resultado dos exames de sangue. Final de tarde: quantidade de plaquetas ok, outros indicadores ok. Mas leucócitos em quantidade muito maior do que deveria. Uéééé... Liguei pro dr. Anderson e pro dr. Arturo, que acompanharia a químio no dia seguinte. Ambos me tranquilizaram, explicando que era efeito do Decadron - remédio receitado pra evitar o enjoo da QT. Deveria ser tomado na véspera da químio (2), noite da químio (1) e no dia seguinte (2). A tontinha aqui tomou o remédio ANTES do exame de sangue. Zeeeeeebra!
Vamos à aplicação!
A segunda sessão de químio foi tranquila quanto à aplicação, assim como a primeira. Óbvio, a mesma batalha pra achar uma veinha boa na mão/braço direito, picadinhas pra lá e pra cá. Sonolência depois do Alegra, cochilo de 15 minutinhos, mais aplicação, agora dos químios, propriamente ditos, e... pronto! Menos uma QT!
Saímos de lá direto pro restaurante. A ideia era, de novo, encarar um supremo de frango. Depois disso, SONO, MUUUUIIIITO SONO.
Incrível como esse tratamento cansa. Eu nem imaginava o quanto. Dá uma moleeeeza...

Beth, a força "importada" pra 2ª QT

 
Dr. Arturo, que acompanhou a segunda QT (o dr. Anderson, “meu personal oncologist”, estava numa palestra, em BH)


 
Régis (“o Caçador de veias perdidas”), Fátima, Santusa (que espera a chegada das gêmeas) e Val
* O Hugo disse que pareço uma "mãe de santo" nesta foto. E não é que pareço mesmo?! re re re...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Primeira químio: o bicho não tinha sete cabeças. Apenas quatro!

Mesmo sabendo que as sessões de quimioterapia não eram nenhum bicho de sete cabeças, pois já havia visitado as salas de aplicação e conversado lá com alguns pacientes, quando da minha primeira consulta com o oncologista, fui pra minha primeira sessão com o famoso pezinho atrás. Era mais uma novidade nessa minha nova experiência de vida. Pra me dar força, “importei” de Sampa minha mãe e a Natália, sobrinha companheira e alto astral.
Antes da QT e da consulta, foram checados peso e altura e medidas a pressão arterial e os batimentos cardíacos (procedimento que se repetiria em todas as sessões). Esses valores, aliados aos detalhados e criteriosos estudos feitos anteriormente pelo oncologista, definem a dosagem dos químicos a serem aplicados.
Depois disso, uma looonnnnga e ótima conversa com o dr. Anderson, que explicou mais um pouco sobre químio, seus efeitos, as precauções e outros cuidados durante o tratamento. Pra mim, naquele momento, era importantíssimo saber que remédios tomar contra possíveis efeitos colaterais. Sou muito enjoadinha e temia sofrer enjoos insuportáveis.
Receitinha básica do dr. Anderson: contra enjôo, Vonan; contra dores no corpo, Nimesulida; e pra tirar da boca o gosto de quem acabou de chupar moedas*, bochechos de seis em seis horas com bicarbonato de sódio (uma colher de chá pra cada copo d´água). Tudo muito simples. Na véspera, eu já tinha me preparado pros enjôos, também com orientação do dr. Anderson: Decadron duas vezes no dia.
* Descobri, conversando com meu amigo Luciano Kede, que esse gosto esdrúxulo de ferro, metal e moeda na boca se chama Azinhavre. Adorei a palavra. Já foi pra minha listinha!

Clínica Acreditar: o local pra aplicação é bem agradável




Como é a aplicação

 Confortavelmente instalada numa poltrona macia, começava o drama pra puncionar a veia. Picadinha aqui, picadinha ali e... ufa! Na terceira, a agulha venceu a briga contra minhas veias. A aplicação começa com soro, seguido do Allegra (antialérgico), Decadron e as drogas, propriamente ditas: Docetaxel (antineoplásico usado no tratamento de vários tipos de câncer, como no carcinoma da mama) e Genuxal (ciclofosfamida – também antineoplásico). O efeito do Allegra não tem nada que lembre o nome: me deu um sono insuportável, mal conseguia manter as pálpebras minimamente erguidas. Foram uns 20 minutos de sono profundo. Pra falar a verdade, um cochilo bem relaxante. Passado o efeito mais forte, só fiquei meio grogue. Por fim, soro pra “lavar” a veia. Tudo isso durou, aproximadamente, uma hora e 45 minutos.


Saímos da clínica, famintas, direto pro restaurante que serve um ótimo “supremo de frango”, o "Azeite de Oliva", pra alegria da d. Mafalda que adora esse prato, que passou a ser, também, o prato predileto da Natália. Depois disso: rumo ao aconchego do meu lar pra dormir, dormir, dormir... Ficaria os próximos três dias meio que de molho, quietinha, esperando que os efeitos mais fortes passassem, pra poder retomar a rotina, ainda que meia boca.

Ressaca anunciada: muita gente disse que eu teria uma ressaca pós QT, tipo “day after” de um pilequezinho básico. Ressaca sem nem mesmo um vinhozinho... que coisa sem graça

Com Natália e mamãe durante a aplicação: tudo muito light após a cochilada

Regis (o caçador de veias perdidas), Magna e Edvaldo



"Estou semeando céu para colher estrelas." Norton Contreras

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pausa pra mais uma festinha

Pra comemorar o niver da Nati, que tinha sido dia 23, um bolinho fofo, com foto dela e da gatinha Mia. A família estava lá, foi hiper gostoso. Além do bolo, o pessoal se deliciou vendo fotos antigas, do noivado da Beth - coisa da década de 70!



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Licença, retirada dos pontos e Sampa´s home

A licença do trabalho pós cirurgia foi de um mês e a liberação médica pra que eu viajasse pra São Paulo seria 20 dias depois “da faca”. Fui pro consultório do dr. Soares, ele retirou praticamente todos os mais de cem pontos - isso mesmo: CEM PONTOS - e, de lá, eu e a Beth seguimos direto pro aeroporto Juscelino Kubitschek rumo a Sampa.
Só como registro: em Brasília, pode-se dizer que 90% de praças, hospitais, parques, locais públicos e espaços em geral têm o nome Kubitschek - Juscelino ou Sara.

Estátua de Juscelino e Sara Kubitschek em frente ao Memorial JK

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Beth, a Big Sister

Uma vez a Beth escreveu um depoimento no Orkut, dizendo:
“Deus não podia ter me dado melhor irmã. Generosa, inteligente, bondosa, charmosa, risonha e tantos outros adjetivos legais que nem dá pra escrever tudo... Te amo como irmã, como ser humano e como amiga!”

Pois eu digo exatamente o mesmo! Não sei o que seria de mim se ela não tivesse se dedicado 100% aos cuidados comigo após a cirurgia (e também antes e bem depois e em outras situações). Deixou todas as suas coisas e compromissos em Sampa e ficou mais de 20 dias em Brasília. Banho, comida, curativos, medicamentos, carinho... Parecia uma cuidadora profissional e, em certos momentos, enfermeira, psicóloga, médica... Ela foi fundamental pra minha recuperação.
Importante falar, também, que é nesse tipo de situação que a gente abre mão de alguns conceitos – ou preconceitos. Não sou nem nunca fui orgulhosa. Ok, talvez eu seja um “bucadinho”: não gosto de pedir ajuda, prefiro que me peçam pra eu poder ajudar. Mas tirando esse pequeno “orgulhinho besta”, acho que, no geral, sou uma pessoa do bem, de bom coração e algumas qualidades. E sempre considerei como uma dessas qualidades ser independente. “Amo ser independente”! - Essa foi sempre uma das minhas frases preferidas. Falava isso de "peito aberto" (credo! essa expressão não deveria ser usada aqui). Enfim, a teoria “foi pro saco”!
Valeu, Bé! Valeu MUITO, Bé! Valeu MESMO, Bé! Valeu PACAS, Bé!  re re re...


“A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo. O carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades” - Lettie Cowman

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cirurgia: medo sim, como não?

Depois daquela “picadinha sem vergonha”, certamente, nada poderia ser pior naquele dia. Sim, havia o medo. Um baita medo, diga-se de passagem. Depois da conversa com o dr. Renato Barra (depois eu conto), até fiquei um pouco mais tranquila, mas ainda estava preocupada com a anestesia geral, afinal, levemente hipertensa, acima do peso e levando uma vida sedentária, eu não tinha exatamente o perfil  da paciente mais almejada por cirurgiões e anestesistas. Sem contar que eu ainda tossia um pouco e ficava imaginando se me desse uma crise de tosse no centro cirúrgico.
Saímos do IMEB, passamos rapidamente em casa pra pegar a parafernália hospitalar (roupa, notebook e otras cositas mas) e fomos pro Hospital Santa Helena. A Carol faria companhia pra Beth durante a cirurgia.
Subi até o andar “x”, que não me lembro qual, e entrei no centro cirúrgico, uma ala bem fria - no sentido térmico da palavra -, com uns 20 leitos de pós-operatório e umas dez salas de cirurgia, uma ao lado da outra. Logo vi o dr. Farid, dr. Soares e a dra. Isabela e me tranquilizei. Troquei de roupa e coloquei um hiper fashion avental cirúrgico amarelo gemada, aquele sapatinho azul frufru com elástico e fui andando até a “minha” sala, onde seria a operação. Lá já estavam o anestesista, instrumentadora e enfermeiras. Achei a sala interessante, com mil equipamentos, mesas de apoio, aparatos... Me senti mais segura.
Fotos para o book
Eu já estava me deitando quando fui interrompida para a “sessão fotos book”, ou seria pra Revista Playmama? Os médicos iriam fazer fotos do “antes”. Desci da cama (maca?) nua em pelo, bem constrangida, eu diria, com aquele povo todo circulando. Aí a dra. Isabela, super fofa, meio que improvisou uma saia com o lençol. Tiradas as fotos, de vários ângulos, voltei pra cama (maca?).
Antes de colocar a máscara de oxigênio com o “sossega leão”, houve um momento em que todos foram para um canto da sala pra conversar ou sei lá o quê. Levantei a cabeça e vi aquela turma de médicos e auxiliares, todos de avental e pensei, olhando aquela imagem, que me remeteu a uma pintura da Capela Sistina: “Essas pessoas com essas roupas claras e compridas estão parecendo anjos, que vieram pra cuidar de mim e me curar”. Nesse momento, me deu uma sensação tão tranquila, mas tão tranquila, que me lembro até de ter dado um sorriso pra mim mesma - e praqueles que certamente estavam espiritualmente comigo - e de ter agradecido por estar tendo a chance que muitos não têm de ser tratada. Bem tratada. Recostei a cabeça relaxada. A dra. Isabela não saiu do meu lado, segurando a minha mão, enquanto eu era sabatinada pelo anestesista e “amarrada” pelos enfermeiros. Paralelamente, ela e o dr. Farid começaram a busca pelo linfonodo sentinela, conforme expliquei em post anterior. O anestesista colocou a máscara e pediu pra eu contar até 10, lentamente. Em vez disso, comecei a rezar, a ouvir o “pi, pi, pi” do aparelho e, beeeem de longe, as vozes do dr. Farid e da dra. Isabela: “acho que está aq...”. E apaguei!
Onde estou? O que aconteceu? É tudo tão estranho...
Fui acordar, sete horas depois, com a meiguice e delicadeza da Dandi (enfermeira da UTI pós-cirúrgica - cunhada da Sara, estagiária de jornalismo da Acme/Mútua) me cobrindo, aquecendo meu pé e perguntando se eu me sentia bem. Incrível, mas depois de uma anestesia de sete horas, eu abri os olhos e disse pra ela: “Você é a Dandi, né?”. Não me perguntem como fui me lembrar até do nome dela, que tinha escutado uma única vez, quando a Sara me contou que era o plantão da cunhada. Curioso, também, foi a minha consciência absoluta da situação em que eu estava. Me lembro bem de ter perguntado até se eu tinha passado pelo esvaziamento axilar, uma preocupação anterior. Ela me disse que não houve o esvaziamento e que estava tudo bem. Mas esse nível de consciência durou pouco.
Não passou muito tempo e fui levada de maca pro quarto onde, eufóricas e ansiosas, estavam Beth e Carol. Aí veio meu estado hiper-grogue. Com a voz rouca, em função de ter sido entubada, pedi pra Carol pegar um tal “batom bordô” (não faço a menor ideia de onde tirei isso) e, ao telefone com minha mãe - que estava em Sampa e que se não ouvisse minha voz ia ter um treco - eu insistia em dizer que “estava no cabeleireiro, com tratamento VIP” – vai entender o efeito pós-anestésico... Abaixo as drogas! re re re...
Depois, soubemos que minha mãe tinha certeza de que, ao telefone, era a Beth imitando a minha voz, só pra tranquilizá-la.
Muitas picadinhas, um dreno, uma sonda, um banho e um curativo depois, tive alta na tarde do dia seguinte, alta dada pelo dr. Nataniel Soares.

“Não tenho medo do escuro... mas deixe as luzes acesas.” - Renato Russo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Contar pros amigos é tão difícil quanto contar pra família

Foi bastante complicado contar o fato pras poucas pessoas que souberam do diagnóstico antes da publicação deste blog. Principalmente pra grandes amigas (como as da foto). Mais ainda, quando a notícia é dada às vésperas do Natal, numa confraternização super gostosa, como aconteceu na tradicional “ceia” de Natal antecipada com minhas “ALmigas-irmãs” Encarnacion, Izilda e Silvia.
Elas passaram por problemas semelhantes em família e sabiam como é difícil enfrentar a batalha. Mas especialmente elas tinham de saber. E, desde então, me deram A MAIOR FORÇA E APOIO DO MUNDO! Fizeram (e fazem) contatos permanentes, meio que em rodízio, nunca me deixando sem um abraço virtual ou presencial, sempre que possível. Sei que entre nós não é preciso agradecer nada, meninas. Também, se precisasse, eu não saberia como.

Irmandade de mais de 30 anos (que ninguém nos ouça e nem faça contas): Zizi, Meg, Silvia e Cacá


* Ressalto que também não me esqueço de outras pessoas queridas que me “socorreram” com telefonemas, torpedos e e-mails carinhosos - em breve relato esses carinhos todos.


Pra este post, duas frases:
 
"A amizade é um amor que nunca morre.” - Mário Quintana

 “Um amigo se faz rapidamente; já a amizade é um fruto que amadurece lentamente." - Aristóteles

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Master notícia: exames negativos pra metástase... NÃO TÊM PREÇO!!!

O que vale destacar nesses exames são os resultados. Só quem passou por isso sabe o tamanho da expectativa pra saber se há metástases. O tempo de espera não passa. É uma agonia enorme, que fica 24 horas na sua cabeça. Mais uma vez, tive um enorme apoio dos amigos da Mútua. A Helena foi comigo retirar os resultados, um a um, em dias diferentes.
A cada resultado negativo pra metástase era uma verdadeira festa, com direito a choro e ligação telefônica imediata pra Sampa, pra compartilhar as boas novas com a família.
Presente de Natal...  Páscoa... aniversário...


"Eu estou tranquilo e sinto que tudo vai sair bem, porque é exatamente a minha hora." - Caio Fernando Abreu

sábado, 27 de novembro de 2010

Pausa pra festa

A festinha do dia seguinte foi ótima e ajudou bastante a fazer com que o meu “probleminha” não ficasse 100% nas nossas cabeças. Não comentamos com quase ninguém. Primeiro, pra não atrapalhar o momento de alegria da comemoração dos 10 anos do Angelo. Segundo, porque eu achei melhor esperar, até que as coisas estivessem mais definidas. Pra que deixar um monte de gente preocupada antecipadamente, né? Mas, mesmo assim, não dava pra tirar o fato da cabeça.
Festinha deliciosa e Angelo feliz, ao lado de sua mamãe Mariangela, da vovó “Fada” (Mafalda) e da vovó Carmen; a família estava toda lá




"E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão" - Fernando Pessoa