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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu não morri!

Postagem (MUUUUIIITO) atrasada - Parte 3
fevereiro/2011

Falando sobre o IMEB e o dr. Renato Barra no post anterior, me lembrei de uma passagem ótima, que ainda não tinha contado aqui.
Pra marcar aquele “examezinho safado de doído”, a LINFOCINTILOGRAFIA (exame pra localizar o linfonodo sentinela durante a cirurgia), foi preciso passar, antes do dia do exame/cirurgia, pelo médico do IMEB, onde eu faria a aplicação do contraste no dia da cirurgia. O exame sempre é acompanhado pelo médico nuclear da clínica que, inclusive, leva o aparelho pra operação. Já contei tudo isso nos posts de fevereiro.

Bem, mas foi quando conheci o dr. Renato.
Ele fez a “entrevista”, todo atencioso e interessado em saber tudo sobre o meu caso. Me senti tão segura que abri o jogo com ele, falando sobre um assunto que não tinha conversado com ninguém, até então! Vamos ao diálogo, quase surrealista...

- É o seguinte, dr. Renato, tô morrendo de medo de morrer na cirurgia. Pronto, falei!
- Caaallllma, Margareth! É tudo muito seguro.
- Anestesia geral... isso tá me tirando o sono!
- Não tem com o que se preocupar, você vai estar num ótimo hospital, com toda a segurança de um centro cirúrgico completo.
- Mas eu tenho medo de ter alguma coisa enquanto estiver anestesiada.
- Você vai estar sendo monitorada o tempo todo.
- E se eu não conseguir respirar, perder a respiração por algum motivo? Affeee... penso nisso e já fico sem ar...
- Não existe esse risco. Você vai estar entubada.
- ENTUBADA?????????? EU??????????? Meu Deus! Agora que fiquei mais nervosa ainda. Só de imaginar o tubo dentro na minha garganta... Não vou aguentar isso! Pensei que fosse aquele caninho que fica no nariz, mas sem invasão, entende? Ai, ai, ai...
- Calma! Você não vai sentir nada, lembre-se que estará anestesiada.
- Você vai estar lá pra acompanhar o exame do “sentinela” na hora da cirurgia?
- Talvez. Não sei se será meu plantão nesse dia. Mas qualquer que seja o médico do IMEB, você vai estar bem assistida.
- Então, por favor, se for você ou seja lá quem for, dê a recomendação: NÃO DEIXE ME ENTUBAREM ANTES DE TEREM CERTEZA ABSOLUTA DE QUE EU TÔ ANESTESIADA, ok? Se não, não vai dar certo.
- Fica tranquila! Esse é um procedimento normal.
- Tá! Eu só não quero morrer por falta de ar ou por causa do cano na minha garganta, ok?

Muito bem. A cirurgia transcorreu, também como já relatado aqui, sem grandes problemas (tirando uma leve arritmia que assustou um pouco os médicos). Fui reencontrar o dr. Renato cerca de 15 dias depois, quando fui fazer um outro exame. E um novo diálogo “salvadordalístico” aconteceu quando eu o vi...
- Dr. Renato, dr. Renato! Lembra de mim?
- Claro! Como é que você tá?
- Dr. Renato, EU NÃO MORRI!

Preciso escrever mais alguma coisa, ou dá pra imaginar a cara dele e dos pacientes que estavam na sala de espera? A Beth, que estava comigo, deu muita risada, apesar do mico.


Renato, em palestra na Mútua sobre prevenção do câncer de mama, nas comemorações do Dia Internacional da Mulher (se não leu, leia aqui esse post)



"Como um pássaro cantando na chuva, deixe memórias agradáveis sobreviverem em tempos de tristeza." - Robert Louis Stevenson (do site Inana)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

IMEB Rosa

Semana passada tive de fazer ressonância magnética do ombro direito. Nada a ver com o CA, apenas desgaste decorrente dos meus “25 aninhos” (ou seria pelo excesso de academia??? re re re...). Mas depois conto detalhes. Marquei o exame no IMEB da Asa Norte, onde também funciona o IMEB MULHER. A unidade está linda, com várias referências ao Outubro Rosa. A iniciativa foi do médico nuclear do Instituto (e meu amigo), Renato Barra, que já concedeu entrevista para o Mama Mia - confira aqui.

No painel de entrada, a exemplo do que aconteceu em monumentos de todo o mundo, o destaque é a iluminação rosa. O Anderson mostra, também, a camiseta usada neste mês por toda a equipe do IMEB



As colaboradoras do IMEB também estão com laços cor de rosa, como a Kezia e a fofa da Cinthya


Folders e banners explicam o Outubro Rosa e dão outras dicas de prevenção contra o câncer de mama

A Luciana coloca o laço rosa na paciente Fernanda Tavares, assim como é feito com todas as pacientes que passam no Instituto, neste mês de outubro, para realizar ou retirar exames

*****
PASSEANDO PELA CAPITAL FEDERAL
No embalo do Outubro Rosa, flagrei, no domingo, laços cor de rosa na base da Torre de TV, um dos pontos turísticos de Brasília



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo de travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado sempre à margem de nós mesmos." - Fernando Pessoa

terça-feira, 26 de abril de 2011

É só uma radiaçãozinha!

Meu nome é Meg, mas pode me chamar de Angra 1, Angra 2, Chernobyl (agora ChernÓbyl - depois de 25 anos)...
Caraca, quanta radiação! Em doses homeopáticas, é verdade. Mas através de outras tantas “picadinhas” acho que fiquei meio “Fukushima” durante um tempo. Pensei até em tatuar a imagem abaixo...

Desisti, é claro, com medo de virar ícone de passeata anti-nuclear.
Mas não pude abrir mão dos exames radioativos,  todos feitos nas várias unidades do IMEB. Aliás, devo registrar o atendimento 100% em todos os níveis e fases, desde a marcação até os resultados, passando pelos exames propriamente ditos.
Tudo isso me levou a ser assídua frequentadora de salas e banheiros exclusivos, cheinhos de radiação, como eu.
Antes ser uma paciente injetada do que rejeitada...

Ninguém precisa mais manter distância, ok? Não corro o risco de explodir.
* Que Dona Redonda, o quê?! Não estou falando dos quilos que ganhei nos últimos meses; estou falando de meus sentimentos internos de "síndrome da bombinha nuclear"...



“Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Todos os meus “Doctors Houses”

Médicos são, definitivamente, seres especiais. Acredito que eles passem por uma triagem divina antes de vestir um avental branco (verde ou azul), escrever no receituário, indicar um tratamento ou ter um bisturi à frente. Claro, me refiro aos médicos de verdade, principalmente aqueles com quem tive a chance e a sorte de me deparar nesse processo.

Competentes, atenciosos, carinhosos e me arrisco dizer: amigos. Parece que só o fato de estar com eles, ouvir sua voz em consulta, por telefone ou até por e-mail, sou tomada por uma tranquilidade interessante.

Sem contar a coisa possessiva que a gente assume, passando a ser “dona” dos médicos: “MEU” masto, “MEU” onco, “MEU” plástico, “MEU” ginéco, “MEU” cárdio... Isso poderia nos dar o direito de levá-los pra casa, né não?!
* Meeeenos, Meg. Beeeem menos.

Falando nisso, dizem que virei “Maria Estetoscópio” (uma adaptação de “Maria Gasolina” ou “Maria Chuteira”). Imagina! Só porque, ultimamante, não posso ver um avental branco que já tenho o ímpeto de mostrar "a cicatriz do peito"... re re re...
* Bem, a verdade é que tenho evitado passar em frente a açougues...

Mas voltando aos seres especiais... começo pelo dr. Farid Buitrago (mastologista/ginecologista), meu médico em Brasília antes mesmo disso tudo começar e que vem acompanhando cada uma das ações, desde a primeira mamografia. Ele fez as duas cirurgias e acompanha o tratamento.
Farid


Através dele, conheci o dr. Nataniel Soares (cirurgião plástico), cujo consultório é também na Ginorte. Ele se tornou uma pessoa próxima e querida que, extrapolando a área médica, sempre tem uma palavra e uma oração pra mim. Foi o responsável pela plástica (óbvio!).

Soares

Também por indicação do dr. Farid, cheguei ao Grupo Acreditar de oncologia (ex-CEON) e ao competentíssimo e querido dr. Anderson Silvestrini (também presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - chique, né?). Ele é “meu” oncologista e quem definiu o tratamento, além de me acompanhar e orientar em cada ação. Na Acreditar também conheci outros oncologistas especiais como os doutores Arturo Otaño, Lucianno H. dos Santos e Gustavo Ribas.

Anderson

Na área da medicina nuclear tive o prazer de encontrar no IMEB (Instituto de Medicina Nuclear de Brasília - clínica onde fiz muuuuiiitos exames) o dr. Renato Barra, um doce de pessoa e sempre atencioso e disponível. Faz questão de explicar detalhadamente todos os procedimentos e até liga pra detalhar os laudos. A boa vontade em pessoa. Além dele e de outros médicos, também muito competentes, o IMEB tem a sorte de contar com a delicada dra. Isabela Camargo Silvério, fundamental na minha tranquilidade e apoio antes da cirurgia do dia 5 de fevereiro.

Renato




Biscoito da sorte

... inclusive, de avental branco!

quinta-feira, 3 de março de 2011

“Um toque vale minha vida - A Mútua aposta na prevenção”


Continuação do post do dia 20/02...

Dia Internacional da Mulher
* Evento que promovemos na Mútua

Com o tema “Um toque vale minha vida - A Mútua aposta na prevenção”, estampado nas camisetas que foram entregues a cada colaboradora da Mútua, na entrada, começamos uma jornada de prevenção contra o câncer de mama, no dia 3 de março.
Todos - homens e mulheres -, também na entrada, receberam o botom com o laço rosa e passaram o dia com ele. A Mútua estava toda enfeitada com as bexigas (balões) rosas, especialmente o auditório.






O pessoal de TI da Mútua também participou da preparação, colocando em toda a rede de computadores da empresa a tela da campanha

Todas as palestras aconteceram no período da tarde, sendo que a primeira foi com o dr. Farid, seguido pelo meu depoimento, apresentação do dr. Renato e, finalmente, do dr. Anderson



Pudemos contar com o grupo Acreditar, que, além da palestra com o dr. Anderson e material orientativo sobre o assunto, cedeu alguns brindes para serem sorteados. Também o IMEB preparou um brinde especial para todas as participantes, com bombom, caneta, suporte de bolsa, lixa de unha e uma mensagem especial pelo Dia da Mulher.

Por sugestão do Cláudio Calheiros, diretor da Mútua, optamos por convidar, também, os colaboradores homens para as palestras, afinal, todos têm esposa ou mãe ou filha ou irmã ou amiga a quem retransmitir as informações e alertar sobre a importância do autoexame e da mamografia.

Foi o máximo! Me senti super bem por poder esclarecer e alertar as colegas e também os "meninos" (por tabela, as “mulheres das suas vidas”) sobre a relevância do tema. A sensação foi a mesma pelo grupo que esteve envolvido. Voltei pra São Paulo, pra terminar minha recuperação, com o sentimento do dever cumprido.

O mastologista Farid Buitrago, da Clínica Ginorte, em sua palestra: consultar um médico ao primeiro sinal de alteração nos seios

Quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e outros tratamentos contra o câncer de mama: o tema da apresentação do oncologista Anderson Silvestrini, do Grupo Acreditar








Renato Barra, médico nuclear do IMEB, explicou como a medicina nuclear ajuda a detectar o câncer de mama e falou sobre outros exames preventivos
A delicada e carinhosa mensagem do IMEB com alguns brindes
(o bombom não aparece por razões óbvias: eu comi!)

Em meu depoimento, um breve relato das experiências vividas até aquele momento e como foi importante detectar o câncer no início, graças a exames de rotina


Praticamente todas as meninas da Mútua vestiram a camisa da campanha (eu não vesti - literalmente - porque ainda estava com alguns pontos e com os movimentos meio comprometidos pela recente cirurgia)













Judite e Janete atentas às palestras






O superintendente da Mútua, Daniel Badauê Passos, entrega certificado e material institucional da Mútua ao médico Renato Barra

Os diretores Cláudio Calheiros e Geraldo Sena agradecem a palestra e entregam certificado de participação ao médico Farid Buitrago























Matéria publicada no site do IMEB

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Linfocintilografia mamária: a “picadinha” mais dolorida da face da terra!

Chorei. Chorei mesmo quando fiz o exame, na verdade, um procedimento pra identificar possíveis metástases no linfonodo sentinela, também conhecido como LS. Foram 15 minutos (que pareceram duas horas) de verdadeira agonia. O primeiro minuto após a injeção é como se aquilo nunca mais fosse passar – e a sensação é que não passa mesmo, nunca. Um ardor insuportável que percorre o peito até a axila. Imagine um enxame de abelhas africanas enfurecidas, todas te picando no peito. Juro como não estou exagerando. A Beth foi testemunha ocular dessa história.
Cheguei a sonhar com o exame algumas vezes e durante vários dias. Um drama! Preferiria 50 mamografias a essa coisa esdrúxula e doída! E olha que a médica que aplicou a injeção, Isabela Camargo Silvério, do IMEB (onde fiz o exame), é HIPER competente, delicada, atenciosa, uma fofa (na hora da cirurgia foi ela quem me deu o maior apoio e me tranquilizou).
Mas que raio de procedimento é esse, afinal?
Ele é feito horas antes da cirurgia. É uma injeção subcutânea que é aplicada no seio (mais exatamente ao lado da aréola - ui! - o termo é “subareolar”), com uma solução colorida (azul) e radioativa, que percorre os linfos até o sentinela, que fica na axila. Depois disso, é feito o mapeamento do LS, através de cintilografia. Na hora da cirurgia, uma sonda de detecção de raios gama identifica o exato local do sentinela, ajudado, também, pelo mapeamento anterior.
Nessa hora, eu ainda estava acordada. A dra. Isabela e o dr. Farid procuravam na axila, com a ajuda de um “monitor” e uma espécie de caneta, o local onde seria feita a incisão. Quanto mais forte o “pi-pi-pi-pi” do aparelho, mais próximos estavam do linfonodo sentinela. Tinha também um aparelhinho que mostrava na tela a porcentagem de aproximação (ou algo parecido, segundo minha vaga e pré-anestesiada lembrança). Ouvi os dois dizerem “aqui!” e... caí em sono profundo. Ainda bem!
Z z z z z z Z Z Z ...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Exames, exames, exames...

O mês de dezembro foi especialmente dedicado a uma “centena” de exames, principalmente pra verificar se havia metástase à distância nos órgãos mais frequentemente afetados, quando o câncer primário é o de mama, como ossos, pulmões e fígado. Exames e consultas com outros especialistas também foram pedidos.

Um dos exames que fiz foi a cintilografia óssea, com medicina nuclear. Pra mim foi um exame tranquilo, a não ser pelos nove copos d´água que tive de tomar enquanto o líquido radioativo injetado na minha veia invadia cada um dos meus ossinhos. Fiquei umas duas horas zanzando pelo centro clínico onde fica o IMEB Asa Sul - um verdadeiro shopping de hipocondríaco, com trocentos consultórios, farmácias, lojinhas para doentinhos em geral e de qualquer patologia e muitos, muuuuitos pacientes pra lá e pra cá.

 
Equipamento pra cintolografia

No exame o corpo todo, “frente e verso”, é analisado por uma máquina, com a pessoa deitada e completamente imóvel. Essa parte dura uns 20 minutos.
A curiosidade desse exame pra nós, leigos e mortais, é a impressão do resultado, como “quase” se vê abaixo. “Quase” porque eu meio que apaguei os “contornos” e a imagem tá bem ruizinha. Gente, é muito esquisito ver os ossos cercados pelo seu “corpinho” - especialmente quando o corpinho é mais... “cheinho”. A impressão que tive quando vi a imagem foi algo como aquelas roupas usadas no cinema, pra fazer a pessoa parecer gorda, ou alguém (os ossos) numa roupa inflada de astronauta. Meio ridícula a imagem, eu diria.

Esta sou eu, anterior e posterior (não confundir com “antes e depois”); notaram o meu sorriso amarelo?

Além desse, fiz Raios X de tórax, cabeça e ecografia de abdome. Após consulta com o cardiologista, pra liberação pra cirurgia, outra série de exames foi pedida: ecocardiografia, eletro, eco de tireóide, carótidas, sangue (inúmeros, inclusive, pré-cirúrgicos), Holter (que eu não fiz até agora) e encaminhamento pra nutricionista (fui na primeira consulta e ela está me esperando até agora pro retorno). 



“A Vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não possa protegê-lo”.