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terça-feira, 30 de julho de 2013

A despedida da radioterapia

Faz tanto tempo que não escrevo aqui no blog, que nem sei por onde recomeçar.

Sei que estou muito em falta com minhas amigas e meus amigos leitores, que tanto me apoiaram e curtiram este nosso espaço. Vou escrever cem vezes na “lousa”: “prometo melhorar, prometo melhorar, prometo melhorar...”.

E pra retomar o ritmo - ou tentar fazer isso - fui fuçar os arquivos com escritas e fotos do blog e encontrei um texto que tinha escrito quando terminei as radioterapias - a penúltima etapa, que precede a hormonioterapia, este, um tratamento de cinco anos, sobre o qual prometo escrever em breve.

Quando encontrei o texto, que posto logo, logo, me dei conta de que estava devendo, também, as fotos de despedida dos meus amigos da radioterapia.

Então, retomo, voltando no tempo, até o dia 22 de agosto de 2011, quando fiz a 33ª e última sessão de rádio.

Pra me despedir da equipe de RT do Hospital Santa Lúcia, com quem convivi praticamente todos os dias, durante mais de dois meses, encomendei um bolo e fiz uma arte com as carinhas de todos (com a ajuda da Carol) pra colocar em cima do cake. Utilizei, também, algumas das marquinhas verdes que foram feitas em meu corpinho, durante as RTs pra escrever o texto de agradecimento.

Levei refri, pratinhos e congêneres pra comemorar com eles o final de mais uma etapa. Todos uns fofos, mega atenciosos. Serei sempre grata.

O sucesso do bolo foi tanto, que teve visitação até de quem não estava retratado. E claro, sessão de fotos. Meu médico querido e amigo André contou que mostrava pra todo mundo, pelo celular, a foto do bolo com a carinha dele na cobertura. Ah! O bolo estava DELICIOSO!

A arte para o bolo, o próprio e os cliques comemorativos


"Trabalho é amor tornado visível." Khalil Gibran

domingo, 16 de setembro de 2012

Sessão completa de radioterapia em vídeo

Estou prometendo há tempos e, finalmente, publico o vídeo com uma sessão explicativa de radioterapia, além de outras informações e imagens.
Olha, não é por nada, mas se eu fosse você, eu assistiria, pra ver que essa parte do tratamento não é o fim do mundo. É mais cansativo ir todos os dias pra aplicação do que a sessão, propriamente dita.
Fiz 33 sessões, que duravam cerca de 2 minutos e meio no total. Terminei as rádios há mais de um ano. Mas como promessa é dívida, e não dúvida, editei e - aleluia! - POSTEI!

Em breve tem mais!



Aproveito pra agradecer de forma especial toda a equipe que me atendeu: médico radioterapeuta André Rego; as enfermeiras Monieire, Célia e Simone; os maravilhosos técnicos em radioterapia Marcos, Alex, Hilton, Bruno e Moura; e a equipe da secretaria, Maura, Elaine, Pedro e Luciana. São todos super  profissionais, atenciosos e carinhosos. Tenho saudade (não do tratamento, mas deles).




"Não siga a estrada, apenas. Ao contrário, vá por onde não haja estrada e deixe uma trilha." Ralph Waldo Emerson


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Matricaria chamomilla - mas pode chamar de “bendita camomila”!

A radioterapia e a camomila







As flores da camomila são bastante parecidas com a margarida e o aroma doce é parecido com o da maçã
As compressas com chá de camomila aliviam muito a região tratada com radioterapia. Elas podem ser feitas com o chá de saquinho (dois ou três pra cada litro), mas o chá com a flor de camomila (vendida a granel ou em pacotinhos a partir de 50g) é mais forte, portanto, melhor. Ganhei um montão da minha “irmiga” Cacá, de Sampa, que tinha um bom estoque.
Como eu fazia: três colheres de sopa (e mais um pouquinho) de flor de camomila pra mais ou menos um litro e meio de água fervente. Deixava algumas horas pra “apurar” (tipo, de um dia pro outro). Coava e deixava em temperatura ambiente. Colocava num recipiente a quantidade necessária pra embebedar uma toalha de rosto, tirava o excesso e colocava a toalha diretamente no peito, axila e pescoço (eu fiz radiação também na chamada “fossa supra-clavicular”, conforme já dito na entrevista com dr. André Rego). Ficava com a compressa por cerca de 15 minutos, molhando de novo a toalha aos sete minutos, mais ou menos. O ideal é fazer a compressa pelo menos duas vezes por dia. Ah! Depois de pronto, use o chá em, no máximo, dois dias - depois disso ele fica meio turvo.
Use a toalha apenas pra isso e lave sempre depois de usar. Ela vai ficar bem amarelada, viu? E depois que terminar a rádio, você não vai querer tomar nem sentir o “marcante perfume” da camomila por um bom tempo...
A super-poderosa camomila
Apesar do “porre” de camomila experimentado (ainda que na pele), saiba que essa erva é ótima pra várias situações, especialmente, pelo seu poder calmante, por aliviar dores, combater problemas do sistema digestivo e contra insônia, também colocando-se flores secas no travesseiro. É uma das ervas mais antigas que a humanidade tem utilizado. Abaixo, um resumo extraído do livreto “Alimentos poderosos”.
A camomila (matricaria chamomilla) é uma erva famosa pelo seu poder sedativo e aroma intenso. Seu chá é eficiente em situações de ansiedade, irritabilidade, insônia, tensão e depressão leve, aliviando os sintomas. Quando tomado à noite, proporciona um sono calmo e, se tomado durante o dia, auxilia na prática de atividades sem o estresse rotineiro.
Essa erva também ajuda a resolver problemas do sistema digestivo, como inflamações na mucosa gastrointestinal, azia, gases e alivia tanto a prisão de ventre quanto a diarréia, pois regula o intestino. São usadas as folhas e flores secas da planta. Os chás também são recomendados para bebês e crianças, pois tratam as cólicas tão comuns nessa fase da vida. Indicada, também, para combater cólicas menstruais, a camomila alivia as dores porque é anti-inflamatória e analgésica.

Sentindo na pele
O chá pode ser usado externamente, favorecendo também a beleza, pois trata de problemas de pele, olheiras, terçol e acne, entre outros, pois alivia as irritações e possui ação antisséptica. Para olheiras e olhos inchados, utilize compressas do chá bem gelado. Já para infecções, como terçol e conjuntivite, as compressas devem ser mornas, para estimular a liberação do pus, que causa a inflamação.
Gelado, o chá de camomila tem efeito anti-inflamatório e, por isso, é benéfico para pele irritada e pode ser usado após a depilação, evitando infecções nos poros. Em regiões pequenas, como no buço e virilha, aplique o saquinho do chá gelado e deixe por alguns minutos. Em regiões maiores, aplique com um pano limpo sobre a área por 10 ou 15 minutos.
Curiosidade: dizem que a camomila dá muita sorte e ajuda a atrair dinheiro, por isso, antigamente, os jogadores costumavam lavar suas mãos com chá de camomila antes de jogos importantes.
* Já tô quase arrependida de ter dado os dez pacotinhos de flor de camomila que sobraram depois da rádio...


"O tempo é o melhor autor. Sempre encontra um final perfeito." - Citação de Charlie Chaplin no filme Luzes da Ribalta

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Entrevista: dr. André Rêgo - Médico Radioterapeuta



“Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar.” - Selma Lagerlof

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Radioterapia: tudo o que você sempre quis saber e nunca teve coragem de perguntar

Início da rádio: 29/06/11 - 4ª feira
Já bastante atrasada (o que, partindo de mim, é MUITO estranho...), agora, a partir deste post e nos próximos, vou falar sobre radioterapia, pelo menos o que eu vi, vivi e aprendi. Certamente, tem muito mais coisas, que não estarão aqui.
Quando comecei a fuçar no Google no começo deste ano, procurando imagens de radioterapia, encontrei pouca coisa, principalmente quanto a imagens representativas e que me dessem uma real ideia de como eram as sessões de RT, a forma de aplicação, tempo de duração de cada aplicação, como ficava a pele e outras curiosidades. Foi quando descobri minha, desde então, amiga Amanda (“Diário Câncer de Mama”), que havia postado fotos suas mostrando o efeito das aplicações. Hoje se encontram mais coisas na net, mas achei que seria interessante detalhar um pouco mais, a partir da minha experiência. Por isso, além da entrevista com o meu querido radioterapeuta André Rêgo, gravei o que foi possível dessa fase, pra que as pessoas que nunca tiveram a oportunidade de saber como é, conhecerem o processo.
Diga 33! Isso: 33 sessões
Na primeira consulta já fiquei sabendo que seriam 33 sessões: 28 "normais" e outras cinco de "reforço". Também descobri que receberia radiação na chamada “fossa supra clavicular”, ou seja, uma parte do pescoço onde há estruturas linfáticas e onde podem ocorrer metástases ou micrometástases. O procedimento, no meu caso, segundo o dr. André, foi preventivo.
Estruturas linfáticas axilares e na fossa supra-clavicular
O que aconteceu depois da tomografia e Raios X
Lembram-se, ne? Eu fiz a tomografia e fui marcada com canetinha azul. Quando voltei de Sampa, a cor e os locais das marquinhas mudaram. Eu recebi “xizinhos”, “cruzinhas”, “listinhas” e anotações verdes pelo corpo.
 

Algumas das marcas

Essas marquinhas indicavam onde eu deveria me posicionar no momento da aplicação. O posicionamento da máquina, tempo e locais de aplicação são definidos por complexos estudos realizados por médicos, físicos e técnicos. No momento da aplicação, o paciente fica deitado e imóvel na mesa do aparelho - respirando normalmente - e cada área a ser tratada recebe a radiação, cada uma por cerca de até dois minutos. A dose administrada é absolutamente precisa.
Apenas o paciente permanece na sala, que tem isolamento especial. Os técnicos iniciam a aplicação numa sala anexa, monitorando tudo por um circuito interno de TV.
Aqui, o técnico radioterapeuta Marcos

A seguir, posto entrevista com o dr. André Rêgo, médico radioterapeuta do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, responsável por essa fase do meu tratamento. Tudo beeeem explicadinho!
Em breve, disponibilizo um vídeo bastante ilustrativo de como é aplicada a radioterapia, passo a passo. A paciente, claro, sou eu.
E, na sequência, vou contando mais um pouco sobre o tratamento com radioterapia.


"Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma." - Chico Xavier

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Preparação pra radioterapia: marquinhas e adesivos pelo corpo

Após uma longa semana de muito trabalho em Floripa, com a 69ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (SOEAA) - sem contar a correria nas semanas que antecederam o evento -, I´m back again! Perguntem como anda a fadiga oncológica! Não, melhor não perguntarem que só de falar dela me dá uma canseeeeeeiraaaaa...
Mas, apenas pra registrar: o evento foi ótimo e deu tudo certo. Até consegui dar uma passeadinha por lá, depois de terminado o evento, graças à minha queridíssima amiga de tantos anos Telma Ishiy, que mora em Floripa há cinco anos. Qualquer hora eu posto fotos e conto mais detalhes. Só não quero atrasar ainda mais as histórias da radioterapia, que estão muitíssimo atrasadas.
Retornando do ponto em que parei...
Eu havia postado até o dia do exame pra definir a radioterapia, né? Relojinho do túnel do tempo pro dia  10/06/11, sexta-feira. Nossa! Já faz um tempão, heim?!
Então, fiz a tomografia e fui marcada com um sinalzão de “+”, com caneta azul (aquelas de escrever em CD), em três pontos do corpo, mais especificamente nas duas axilas e entre os seios.  Fiquei com o “+” e um adesivo transparente por cima pra proteger. Não, amigos, não se tratava de nota por bom comportamento (apesar de eu merecer), mas pra indicar onde, exatamente, eu estava posicionada no momento da tomografia e Raios X. A partir dos exames seriam feitos os estudos pelo médico e o físico, que definiriam o local preciso da radiação. Eu deveria estar na mesma posição quando começasse a rádio, quando seriam feitas outras marcas em outros pontos.
Mas o problema é que, no dia seguinte dessa marcação, eu viajaria pra S. Paulo: 10 dias de férias. Tava na cara que aquelas marquinhas e o próprio adesivo que as protegia não iam durar todo esse tempo. Ou seja, viajei já preocupada em como eu manteria os “+”.
No primeiro banho o adesivo entre os seios já estava todo engruvinhado e a marca da caneta começou a borrar. Ai, ai, ai... E agora? Isso era apenas o primeiro dia de férias... E o pessoal da “rádio” havia dito que se as marcas saíssem, eu teria que fazer a tomografia de novo.
Tive um insight, peguei o guia do convênio e procurei um local de radioterapia em Sampa que ficasse próximo de casa (casa paulistana). Encontrei o Instituto de Radioterapia de São Paulo, no Hospital Santa Rita, na Vila Mariana, bem pertinho. Liguei lá, expliquei a situação e fui super bem atendida. No ato consegui marcar um horário com a física, para o dia seguinte.
Cheguei e fui carinhosamente recebida e identificada como “a menina de Brasília”, termo adotado o tempo que frequentei o Instituto. Adivinha se não adorei o “menina”?! Fui atendida inicialmente pela enfermeira Irene e depois pela física Adriana, ambas, umas fofas! Resumo da ópera: elas refizeram as marquinhas cuidadosamente nos mesmos lugares e, pra evitar que as marcas fossem apagadas nos dias seguintes, pediram que eu fosse lá a cada dois dias ou caso os “+” estivessem sumindo.  Essa foi uma das rotinas dos meus dias em Sampa, nas curtas férias de junho. Mas mais do que garantir as marquinhas, ganhei novas amigas, com as quais, inclusive, tenho trocado e-mails até hoje.
Com Irene e Adriana, do Instituto de Radioterapia de São Paulo: ajudazinha básica


"Não existe situação negativa que não possamos transformá-la de forma completa em aspectos positivos pelo poder da nossa luminosidade." - Lama Padma Samten

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cenas dos próximos capítulos

Consegui atualizar o blog até o final da quimioterapia e mais um pouquinho. Como queria publicar o “Mama Mia” quando começo um “novo ano de vida” (em mais de um sentido), ainda não constam alguns fatos já ocorridos, que logo, logo estarão no ar, como o capítulo "Tudo o que você sempre quis saber sobre radioterapia e nunca teve coragem de perguntar!".
Enquanto eu atualizo os últimos dois meses (com todo o processo de radioterapia, por exemplo), dá pra você ir se distraindo com o que já está postado!

Ai, ai... essa fadiga oncológica acaba comigo!
ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...


Volto logo. Até já!



"A vida pode não ser a festa que sempre esperávamos, mas enquanto estamos aqui devemos dançar."

terça-feira, 28 de junho de 2011

It's getting better all the time...

Better, better, better...

Com o final da químio, o dr. Anderson me encaminhou pra radioterapia, indicando o médico André Rego, do Hospital Santa Lúcia. Não poderia ter sido melhor. Adorei a primeira consulta com o radioterapeuta: ele foi claro, atencioso, esclarecedor, muito simpático e extremamente positivo. Senti a maior confiança e a identificação foi imediata!
Marcou a tomografia e o Raio X pra mesma semana. A partir deles e do histórico do caso seria feita a programação do tratamento.
Minha grande preocupação no período entre a quimioterapia e a radioterapia era a cicatrização de parte do corte - a que havia apresentado um pouco de necrópsia -, que continuava complicada, desde a cirurgia de 5 de fevereiro. A radiação seria também e quase que principalmente no local desse corte. Tinha cerca de 15 dias pra estar tudo "fechadinho", do contrário, não poderia começar a radioterapia, o que atrapalharia o tratamento, pois há um prazo entre o final da químio e o início da rádio. Nesse meio tempo, estaria de férias por dez dias.
Feita a tomografia e o Raio X, marcados os pontos no meu corpo que indicariam a posição para o tratamento (depois detalho isso), fui pra Sampa, curtir a família.
Incrível como nesses dez a 15 dias o corte cicatrizou tudo o que não tinha cicatrizado em quase cinco meses! Todos os dias, quando acordava, olhava o corte e não acreditava que o "negócio" melhorava a cada dia. Por isso o "getting better all the time... better, better, better...".
Quando voltei de Sampa, já com a consulta marcada, estava pronta pra começar, efetivamente, mais uma fase muito importante do tratamento: a radioterapia.



“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou. Mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo... Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente. Não temos tempo a perder.” - Renato Russo

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Fadiga oncológica


 Não sou eu que tô falando. Tá escrito por aí.

"A fadiga é uma queixa comum entre pacientes, chegando a afetar até 70% deles durante quimio e radioterapia. Existem relatos de que a deterioração da condição física pode persistir durante anos após o término do tratamento em até 30% dos pacientes."

Cruzes! Será mesmo? Eu, Heim?!


Biscoito da sorte
Então tá, então!

sábado, 15 de janeiro de 2011

São Google entra em ação

Óbvio que nunca na vida “googlei” tanto quanto agora. Todo nomezinho novo que pinta em consultório ou exame... São Google! Mas tive orientação virtual, também, em sites muito legais, como o Inana e o Oncoguia, apenas pra citar dois deles. Mas principalmente os blogs existentes sobre o assunto foram excelentes.

Incrível como tem coisa interessante nos blogs de mulheres maravilhosas que passam pela mesma experiência. É uma troca de informações, dicas e vivências tão grandes, que parece estarmos numa enorme sala de terapia de grupo, onde a troca de experiências e o apoio são constantes. Muitos exemplos de superação e coragem.

Destaco aqui o blog da minha nova amiga Amanda (“Diário câncer de mama”), que descobri num final de semana de janeiro, quando fuçava imagens de radioterapia. Entrei no blog e passei um dia inteiro lendo a história e experiências da Amanda. Só depois de muita leitura, vi que ela era de Brasília. Na segunda-feira seguinte cheguei à Mútua contando que tinha descoberto uma tremenda “fonte” e tinha agora uma especialista no assunto e que tinha virado fã dela. Pra minha surpresa, a Amanda era amiga da Helena, da Acme. Por fim, nos tornamos amigas, por enquanto, virtuais, apesar de ambas estarmos em Brasília. Em breve, espero me encontrar com ela pra comemorarmos nossas vitórias.


"É a esta força que mantém sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer e não temer, que chamo e defino coragem." - Platão

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tá! E agora?

Ele foi super delicado ao explicar tudo, dizendo, inclusive, que era muita informação pra assimilar e que nós ainda conversaríamos muito e que ele teria todo o tempo pra mim, pra qualquer dúvida que eu tivesse, naquela hora ou depois. Otimista, sem deixar de demonstrar preocupação com o diagnóstico, disse que faríamos a cirurgia no seio esquerdo, mais exatamente: quadrantectomia (retirada de um quarto da mama), mamoplastia (redução), implantação de prótese (silicone) e biópsia de linfonodo sentinela. Enquanto falava, desenhava tudo - será que é porque sou loira? 


Bom, ele disse que seriam feitas, também, mamoplastia e implantação de prótese no seio direito (que não tinha nódulo), pra simetrização. Indicou o cirurgião plástico de sua própria clínica pra cirurgia de ambos os seios. Explicou que dependendo principalmente do resultado do “sentinela”, eu teria ou não de fazer esvaziamento da axila e quimioterapia. Mas adiantou que eu não escaparia da radioterapia.

O dr. Farid disse ainda que seria importante levar em conta que o tipo de câncer diagnosticado tinha um ótimo prognóstico de cura, desde que com tratamento e acompanhamento corretos. Eu tentava digerir tudo isso e ele ia imprimindo um montão de solicitações de exames e outros encaminhamentos. Eu faria os exames no mês de dezembro e marcaríamos a cirurgia no início de janeiro.

Ao sair do consultório ele me deu um abraço. Saí meio desnorteada, entrei no carro, chorei pra burro e, quando os olhos ficaram menos encharcados e eu consegui ver alguma coisa, mandei um torpedo pro pessoal da Acme (Assessoria de Comunicação, Marketing e Eventos da Mútua - meus “filhotes”), que tinha ligado trocentas vezes pra saber sobre a consulta. Escrevi duas singelas e delicadas palavrinhas básicas: “deu merda!”. Simples assim.

"Minha mãe sempre me dizia que a vida é como uma caixa de bombons, nunca se sabe o que vai encontrar" - Forest Gump (personagem do filme que leva o mesmo nome)