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sexta-feira, 27 de maio de 2011

ÚLTIMA QUÍMIO !!!

Convocadas pra acompanhamento à “titia” as queridas sobrinhas, quase filhas, Isa e Natália. Chegaram de São Paulo carregadas de sopa congelada de feijão da dona Mafalda, legumes cozidos e outras coisinhas, também congeladas. Afinal, precisava de alimentos com ferro e nutrientes pra que os leucócitos ficassem bem calminhos e não se suicidassem, após a químio. E nada como o feijãozinho com tempero de mamãe, né mesmo?
Na véspera, o tradicional exame de sangue pra ver como andavam as plaquetas. Expectativa SEMPRE, até o final da tarde, pra saber se estaria tudo bem pra QT.
Valeu muito a dica da minha amiga e exemplo Eliane D´Aloísio, pra que as “veinhas” (veias e não “véias”)  ficassem menos tímidas e fugitivas: mergulhar braço e mão numa bacia com chá de camomila morno. Além do mais, diminuem as manchinhas roxas de veias cansadinhas pelo uso. Funcionou!
Durante a aplicação, muitos papos interessantes com colegas também em tratamento. Troca de dicas, informações práticas e novas amizades. Desta vez, conheci a Carla, uma psicóloga bem alto astral, que já terminou o tratamento mas faz aplicação de medicamentos esporadicamente. Ela participa de um grupo de mulheres que troca  experiências sobre o câncer de mama. Vamos ver se dá certo de eu ir um dia e conhecer o trabalho.

ACABOU! A última QT tinha de ter uma foto comemorativa: SAÍDA!
Carla, Paola, Meg, Fátima e Magna



"Há duas maneiras de viver uma vida. A primeira é pensar que nada é um milagre. A segunda é pensar que tudo é um milagre. Do que estou seguro é que Deus existe." Albert Einstein

terça-feira, 26 de abril de 2011

É só uma radiaçãozinha!

Meu nome é Meg, mas pode me chamar de Angra 1, Angra 2, Chernobyl (agora ChernÓbyl - depois de 25 anos)...
Caraca, quanta radiação! Em doses homeopáticas, é verdade. Mas através de outras tantas “picadinhas” acho que fiquei meio “Fukushima” durante um tempo. Pensei até em tatuar a imagem abaixo...

Desisti, é claro, com medo de virar ícone de passeata anti-nuclear.
Mas não pude abrir mão dos exames radioativos,  todos feitos nas várias unidades do IMEB. Aliás, devo registrar o atendimento 100% em todos os níveis e fases, desde a marcação até os resultados, passando pelos exames propriamente ditos.
Tudo isso me levou a ser assídua frequentadora de salas e banheiros exclusivos, cheinhos de radiação, como eu.
Antes ser uma paciente injetada do que rejeitada...

Ninguém precisa mais manter distância, ok? Não corro o risco de explodir.
* Que Dona Redonda, o quê?! Não estou falando dos quilos que ganhei nos últimos meses; estou falando de meus sentimentos internos de "síndrome da bombinha nuclear"...



“Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”.

É só uma picadinha!


Essa história de “é só uma picadinha”, cada vez que você se depara com um novo exame é a mais pura... mentira! Perdi a conta de quantas “picadinhas” levei, desde o início disso tudo. Pra piorar, minhas veias são infanto-juvenis - aliás, mais pra infanto do que pra juvenis. E elas fazem questão de simplesmente desaparecer, quando percebem que uma agulha está se aproximando.
Pode piorar? Sim, pode! E piorou, levando-se em conta que após a cirurgia do dia 5 de fevereiro, com a retirada do linfonodo sentinela, só posso furar a mão ou braço direito. Até meu pezinho já teve de entrar na parada.
Num levantamento beeeem superficial, incluindo exames, internações, remedinhos, QTs e quetais, entre subcutâneas, intravenosas, intramusculares e outros “intras”, devo ter levado mais de 100 “picadinhas”, em cerca de seis meses!


“Vocês se lembrarão de um pouco do que ouviram, de muito do que leram, de mais do que viram e de quase tudo que experimentaram e compreenderam completamente.” - Keith L. Moore

sábado, 16 de abril de 2011

Eu, leucopênica. E viva o Granulokine!

Parece nome de filme, né não? “Eu, Leucopênica: a queda do império dos glóbulos brancos” - em breve, num cinema perto de você!

Devidamente internada, lá vêm as picadinhas: outros exames, soro, antibiótico... e as veias (da mão e braço direito) insistindo em não cooperar. A equipe de enfermagem teve até de pedir socorro pra Tereza, da UTI pediátrica, mais acostumada às veias “estreitinhas”, que finalmente conseguiu puncionar uma delas.
Ganhei até desenhinho da Teresa, no esparadrapo!


O antibiótico ajudou, mas quem colocou ordem na casa (no caso, meu corpinho), foi o milagroso Granulokine, medicamento à base de uma tal “filgrastima”, cujo precinho  módico é de mais ou menos R$ 400, a seringa! O convênio aprovou e os leucócitos terminaram a greve (bom, com esse valor, não haveria greve nem de professor).
Graças a isso, consegui ter alta a tempo de pegar o voo (u-hú!). Vale destacar a atenção do dr. Gustavo Ribas (que me deu alta) e do dr. Luciano dos Santos (ambos oncologistas do Grupo Acreditar). A pedido do dr. Anderson, “meu oncologista oficial”, e do dr. Arturo, que acompanhou a internação (ambos da Acreditar), Gustavo e Luciano foram presença constante no hospital durante minha internação e orientaram todos os procedimentos. Registro, ainda, as duas visitas do dr. Nataniel Soares, “meu” cirurgião plástico, que quis acompanhar de perto a evolução do quadro, principalmente no que dizia respeito à abertura do corte no peito esquerdo.
Passaram no hospital a Ana Carolina e a Lourdes, da Mútua.

MSN em ação: bate papo pra tranquilizar a Natália, diretamente do hospital


Airma que, além de me cuidar como enfermeira, teve até que acalmar a Mafaldinha pelo telefone, explicando que a internação não era o fim do mundo. Ela também teve CA de mama e trocamos muitas experiências...



Biscoito da sorte
Mas contra os glóbulos brancos, a gente vence todas!

Febrão de 39º e internação

Na sexta à noite, 15 de abril, voltei a ficar meio derrubadinha e a febre começou a subir: 37,7 graus, o limite pra ligar pro médico. Depois de um “banhão”, fiquei melhorzinha e com a esperança de que a febre iria baixar nas horas seguintes. E baixou: amanheci com “os termômetros registrando” 37 graus (não é plágio de previsão do tempo, mas é que utilizei dois termômetros mesmo, pra garantir).
Porém... lá pela uma da tarde, medi a temperatura e levei um susto: 39 graus! Liguei na mesma hora pro dr. Arturo, que me orientou a correr pro pronto socorro e me ligar de lá quando fosse atendida, já ao lado do médico, pra saber sobre o quadro e orientar a condução das ações.
A Beth, que ainda estava em Brasília, me levou ao pronto socorro, que é bem perto de casa. Fui atendida imediatamente por uma médica super atenciosa e competente. Mais uma picadinha pra exames de sangue. Quando ficaram prontos, o resultado que já era esperado: leucopenia, ou seja, enorme queda de leucócitos (que também atendem pela alcunha de “glóbulos brancos”). Podia ser alguma infecção escondidinha ou reação da própria químio. Mas tudo indicava que se tratava de infecção proveniente da demorada cicatrização de parte do corte na mama esquerda – cirurgia de 5 de fevereiro.


“Lembre-se da sabedoria da água: ela nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."

sexta-feira, 18 de março de 2011

Primeira químio: o bicho não tinha sete cabeças. Apenas quatro!

Mesmo sabendo que as sessões de quimioterapia não eram nenhum bicho de sete cabeças, pois já havia visitado as salas de aplicação e conversado lá com alguns pacientes, quando da minha primeira consulta com o oncologista, fui pra minha primeira sessão com o famoso pezinho atrás. Era mais uma novidade nessa minha nova experiência de vida. Pra me dar força, “importei” de Sampa minha mãe e a Natália, sobrinha companheira e alto astral.
Antes da QT e da consulta, foram checados peso e altura e medidas a pressão arterial e os batimentos cardíacos (procedimento que se repetiria em todas as sessões). Esses valores, aliados aos detalhados e criteriosos estudos feitos anteriormente pelo oncologista, definem a dosagem dos químicos a serem aplicados.
Depois disso, uma looonnnnga e ótima conversa com o dr. Anderson, que explicou mais um pouco sobre químio, seus efeitos, as precauções e outros cuidados durante o tratamento. Pra mim, naquele momento, era importantíssimo saber que remédios tomar contra possíveis efeitos colaterais. Sou muito enjoadinha e temia sofrer enjoos insuportáveis.
Receitinha básica do dr. Anderson: contra enjôo, Vonan; contra dores no corpo, Nimesulida; e pra tirar da boca o gosto de quem acabou de chupar moedas*, bochechos de seis em seis horas com bicarbonato de sódio (uma colher de chá pra cada copo d´água). Tudo muito simples. Na véspera, eu já tinha me preparado pros enjôos, também com orientação do dr. Anderson: Decadron duas vezes no dia.
* Descobri, conversando com meu amigo Luciano Kede, que esse gosto esdrúxulo de ferro, metal e moeda na boca se chama Azinhavre. Adorei a palavra. Já foi pra minha listinha!

Clínica Acreditar: o local pra aplicação é bem agradável




Como é a aplicação

 Confortavelmente instalada numa poltrona macia, começava o drama pra puncionar a veia. Picadinha aqui, picadinha ali e... ufa! Na terceira, a agulha venceu a briga contra minhas veias. A aplicação começa com soro, seguido do Allegra (antialérgico), Decadron e as drogas, propriamente ditas: Docetaxel (antineoplásico usado no tratamento de vários tipos de câncer, como no carcinoma da mama) e Genuxal (ciclofosfamida – também antineoplásico). O efeito do Allegra não tem nada que lembre o nome: me deu um sono insuportável, mal conseguia manter as pálpebras minimamente erguidas. Foram uns 20 minutos de sono profundo. Pra falar a verdade, um cochilo bem relaxante. Passado o efeito mais forte, só fiquei meio grogue. Por fim, soro pra “lavar” a veia. Tudo isso durou, aproximadamente, uma hora e 45 minutos.


Saímos da clínica, famintas, direto pro restaurante que serve um ótimo “supremo de frango”, o "Azeite de Oliva", pra alegria da d. Mafalda que adora esse prato, que passou a ser, também, o prato predileto da Natália. Depois disso: rumo ao aconchego do meu lar pra dormir, dormir, dormir... Ficaria os próximos três dias meio que de molho, quietinha, esperando que os efeitos mais fortes passassem, pra poder retomar a rotina, ainda que meia boca.

Ressaca anunciada: muita gente disse que eu teria uma ressaca pós QT, tipo “day after” de um pilequezinho básico. Ressaca sem nem mesmo um vinhozinho... que coisa sem graça

Com Natália e mamãe durante a aplicação: tudo muito light após a cochilada

Regis (o caçador de veias perdidas), Magna e Edvaldo



"Estou semeando céu para colher estrelas." Norton Contreras

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Visitinhas gostosas

Sou chata e fresquinha, isso é público e notório. Por isso, não queria receber visitas depois da cirurgia. Queria estar ótima antes de receber pessoas queridas em casa (Brasília). Arranjei até briguinhas por isso, ao “proibir”, por exemplo, que a Silvia, Cacá e Zizi saíssem de Sampa pra ficar comigo. Achei que seria muita mão de obra pra elas deixarem suas famílias pra me ver. Afinal, a Beth já estava cuidando de mim. E elas ficaram bem bravinhas com isso, pode?
Outras pessoas queridas que souberam da situação também, carinhosamente, se ofereceram pra estar em Brasília e me mimar. Entre elas a Lili e a Sandra, minhas queridíssimas primas-irmãs, e muitas amigas (prefiro não colocar os nomes, porque corro o risco de me esquecer de alguém - mas é compreensível pelo momento).
* Gente, essa coisa de ter tido câncer te dá a chance de usar isso como desculpa pra um monte de coisa. As pessoas sempre “entendem” seus deslizes e dão todos os descontos possíveis. Então, vou justificar assim todas as minhas falhas, defeitos, esquecimentos... Vocês entendem, né?!
** Viram? Usei de novo e vocês nem perceberam.
Bem, mas eu estava registrando as visitinhas gostosas (foram poucas, por minha culpa). Entre elas, a dos meus afilhadinhos de casamento, Samanta e Alessandro ou “Patinha e Patinho”, com direito a pizza e ótimas conversas.

Os “ex-filhotes” da Gerência de Benefícios também foram me ver. Vejam só o vasão bonito de flores que eu ganhei do Gustavo, Deisi, André e Márcia.


Toda vez que podia, a Bete Rodrigues, amiga e parceira de muitos anos, aproveitava pra me ver em Brasília. Ô dó... chorou quando eu contei que faria químio...



Valeu! Aos que foram e aos que eu não deixei ir... re re re...

ET: Não considerei aqui as constantes presenças da Rose, Sara, Carol, Helena e Rodrigo, que viviam levando almoço, lanche, remédios, documentos e outras coisinhas que eu precisava.
Opa! Quase me esqueço que, logo depois da cirurgia, a Carol, com sua altíssima experiência, marcou ponto em casa durante oito dias, no seu horário de almoço, pra me aplicar uma injeção intramuscular de prevenção contra trombose (até que a "picadinha" dela é suave...). E o “seu” Caio e Assis, que também me socorreram quando eu não podia levar algum documento pra Mútua.

Ah, sim! E a Girlaia... SEMPRE PRESENTE!


“A gente não faz amigos, reconhece-os.” - Vinícius de Moraes

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cirurgia: medo sim, como não?

Depois daquela “picadinha sem vergonha”, certamente, nada poderia ser pior naquele dia. Sim, havia o medo. Um baita medo, diga-se de passagem. Depois da conversa com o dr. Renato Barra (depois eu conto), até fiquei um pouco mais tranquila, mas ainda estava preocupada com a anestesia geral, afinal, levemente hipertensa, acima do peso e levando uma vida sedentária, eu não tinha exatamente o perfil  da paciente mais almejada por cirurgiões e anestesistas. Sem contar que eu ainda tossia um pouco e ficava imaginando se me desse uma crise de tosse no centro cirúrgico.
Saímos do IMEB, passamos rapidamente em casa pra pegar a parafernália hospitalar (roupa, notebook e otras cositas mas) e fomos pro Hospital Santa Helena. A Carol faria companhia pra Beth durante a cirurgia.
Subi até o andar “x”, que não me lembro qual, e entrei no centro cirúrgico, uma ala bem fria - no sentido térmico da palavra -, com uns 20 leitos de pós-operatório e umas dez salas de cirurgia, uma ao lado da outra. Logo vi o dr. Farid, dr. Soares e a dra. Isabela e me tranquilizei. Troquei de roupa e coloquei um hiper fashion avental cirúrgico amarelo gemada, aquele sapatinho azul frufru com elástico e fui andando até a “minha” sala, onde seria a operação. Lá já estavam o anestesista, instrumentadora e enfermeiras. Achei a sala interessante, com mil equipamentos, mesas de apoio, aparatos... Me senti mais segura.
Fotos para o book
Eu já estava me deitando quando fui interrompida para a “sessão fotos book”, ou seria pra Revista Playmama? Os médicos iriam fazer fotos do “antes”. Desci da cama (maca?) nua em pelo, bem constrangida, eu diria, com aquele povo todo circulando. Aí a dra. Isabela, super fofa, meio que improvisou uma saia com o lençol. Tiradas as fotos, de vários ângulos, voltei pra cama (maca?).
Antes de colocar a máscara de oxigênio com o “sossega leão”, houve um momento em que todos foram para um canto da sala pra conversar ou sei lá o quê. Levantei a cabeça e vi aquela turma de médicos e auxiliares, todos de avental e pensei, olhando aquela imagem, que me remeteu a uma pintura da Capela Sistina: “Essas pessoas com essas roupas claras e compridas estão parecendo anjos, que vieram pra cuidar de mim e me curar”. Nesse momento, me deu uma sensação tão tranquila, mas tão tranquila, que me lembro até de ter dado um sorriso pra mim mesma - e praqueles que certamente estavam espiritualmente comigo - e de ter agradecido por estar tendo a chance que muitos não têm de ser tratada. Bem tratada. Recostei a cabeça relaxada. A dra. Isabela não saiu do meu lado, segurando a minha mão, enquanto eu era sabatinada pelo anestesista e “amarrada” pelos enfermeiros. Paralelamente, ela e o dr. Farid começaram a busca pelo linfonodo sentinela, conforme expliquei em post anterior. O anestesista colocou a máscara e pediu pra eu contar até 10, lentamente. Em vez disso, comecei a rezar, a ouvir o “pi, pi, pi” do aparelho e, beeeem de longe, as vozes do dr. Farid e da dra. Isabela: “acho que está aq...”. E apaguei!
Onde estou? O que aconteceu? É tudo tão estranho...
Fui acordar, sete horas depois, com a meiguice e delicadeza da Dandi (enfermeira da UTI pós-cirúrgica - cunhada da Sara, estagiária de jornalismo da Acme/Mútua) me cobrindo, aquecendo meu pé e perguntando se eu me sentia bem. Incrível, mas depois de uma anestesia de sete horas, eu abri os olhos e disse pra ela: “Você é a Dandi, né?”. Não me perguntem como fui me lembrar até do nome dela, que tinha escutado uma única vez, quando a Sara me contou que era o plantão da cunhada. Curioso, também, foi a minha consciência absoluta da situação em que eu estava. Me lembro bem de ter perguntado até se eu tinha passado pelo esvaziamento axilar, uma preocupação anterior. Ela me disse que não houve o esvaziamento e que estava tudo bem. Mas esse nível de consciência durou pouco.
Não passou muito tempo e fui levada de maca pro quarto onde, eufóricas e ansiosas, estavam Beth e Carol. Aí veio meu estado hiper-grogue. Com a voz rouca, em função de ter sido entubada, pedi pra Carol pegar um tal “batom bordô” (não faço a menor ideia de onde tirei isso) e, ao telefone com minha mãe - que estava em Sampa e que se não ouvisse minha voz ia ter um treco - eu insistia em dizer que “estava no cabeleireiro, com tratamento VIP” – vai entender o efeito pós-anestésico... Abaixo as drogas! re re re...
Depois, soubemos que minha mãe tinha certeza de que, ao telefone, era a Beth imitando a minha voz, só pra tranquilizá-la.
Muitas picadinhas, um dreno, uma sonda, um banho e um curativo depois, tive alta na tarde do dia seguinte, alta dada pelo dr. Nataniel Soares.

“Não tenho medo do escuro... mas deixe as luzes acesas.” - Renato Russo

Biópsia do linfonodo sentinela

A ressecção do LS foi uma cirurgia que fiz paralelamente à quadrantectomia, mamoplastia, colocação de prótese e simetrização, ou seja, foi intra-operatória (callllma! isso tá explicado em outros posts – pelo menos eu acho que sim). Tudo foi realizado como se fosse uma grande cirurgia, englobando esses vários procedimentos. Só não sei exatamente qual a sequência - claro, eu estava anestesiada.
O principal objetivo da biópsia do LS é conservar a axila, evitar o seu esvaziamento. A cirurgia radioguiada possibilita a combinação das técnicas ROLL (Radioguided Occult Lesion Localization) pra marcação de lesões não-palpáveis, com a biópsia simultânea de LS. Parece complicado e técnico demais, né? Mas é simples... pros médicos! O procedimento, aliás, depende da colaboração e interação da medicina nuclear, equipe cirúrgica e patologistas.
Muito bem, após a ressecção (corte/retirada), o linfonodo passa por exames citológico e histopatológico. Isso, óbvio, se houver disponibilidade de equipamento, o que NÃO HOUVE no meu caso, por problemas técnicos. Portanto, a biópsia do sentinela foi feita só depois e o resultado conhecido após cerca de uma semana após a cirurgia. Conto depois essa parte.
Apenas pra concluir a história da delicada “injeçãozinha subareolar” do post anterior...
Quem disser que “é só uma picadinha”, quando falar desse procedimento inicial, vai arder no mármore do inferno, pela mentira deslavada! Re re re... (risada nervosa, só de lembrar).

Linfocintilografia mamária: a “picadinha” mais dolorida da face da terra!

Chorei. Chorei mesmo quando fiz o exame, na verdade, um procedimento pra identificar possíveis metástases no linfonodo sentinela, também conhecido como LS. Foram 15 minutos (que pareceram duas horas) de verdadeira agonia. O primeiro minuto após a injeção é como se aquilo nunca mais fosse passar – e a sensação é que não passa mesmo, nunca. Um ardor insuportável que percorre o peito até a axila. Imagine um enxame de abelhas africanas enfurecidas, todas te picando no peito. Juro como não estou exagerando. A Beth foi testemunha ocular dessa história.
Cheguei a sonhar com o exame algumas vezes e durante vários dias. Um drama! Preferiria 50 mamografias a essa coisa esdrúxula e doída! E olha que a médica que aplicou a injeção, Isabela Camargo Silvério, do IMEB (onde fiz o exame), é HIPER competente, delicada, atenciosa, uma fofa (na hora da cirurgia foi ela quem me deu o maior apoio e me tranquilizou).
Mas que raio de procedimento é esse, afinal?
Ele é feito horas antes da cirurgia. É uma injeção subcutânea que é aplicada no seio (mais exatamente ao lado da aréola - ui! - o termo é “subareolar”), com uma solução colorida (azul) e radioativa, que percorre os linfos até o sentinela, que fica na axila. Depois disso, é feito o mapeamento do LS, através de cintilografia. Na hora da cirurgia, uma sonda de detecção de raios gama identifica o exato local do sentinela, ajudado, também, pelo mapeamento anterior.
Nessa hora, eu ainda estava acordada. A dra. Isabela e o dr. Farid procuravam na axila, com a ajuda de um “monitor” e uma espécie de caneta, o local onde seria feita a incisão. Quanto mais forte o “pi-pi-pi-pi” do aparelho, mais próximos estavam do linfonodo sentinela. Tinha também um aparelhinho que mostrava na tela a porcentagem de aproximação (ou algo parecido, segundo minha vaga e pré-anestesiada lembrança). Ouvi os dois dizerem “aqui!” e... caí em sono profundo. Ainda bem!
Z z z z z z Z Z Z ...