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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Acreditar

Andréia, Tatiane e Ana Cláudia

É muito tranquilo chegar à Clínica Acreditar. Não me refiro ao caminho, porque, óbvio, me perco todas as vezes (pra quem não sabe, nasci sem GPS no cérebro ou qualquer dispositivo de localização/direção - a vida inteira me perdi, pela falta de um mínimo senso de direção). Refiro-me ao local, institucionalmente falando. A recepção do pessoal é tão carinhosa, que a gente se sente hiper bem, mesmo em dia de QT. Aliás, até pelo telefone o pessoal é extremamente atencioso e de uma boa vontade incrível.

Nos bastidores, também já tive provas da competência da equipe, uma vez que a assessora de comunicação da Acreditar, a Paula Vargas, foi parceira quando fizemos o evento na Mútua, escrito antes em outro tópico, fornecendo folder com material explicativo sobre câncer de mama e brindes pra sortearmos no evento. Também já falei sobre a incrível atenção dos médicos da Clínica.

Resumo da ópera: atendimento dez, em todos os sentidos.  O nome da Clínica tem tudo a ver: o astral e o positivismo, até dos pacientes, é notório. Aliás, boas amizades feitas na sala de aplicação. Pessoas guerreiras, vencedoras e com histórias incríveis de superação.


“Não sei se a vida é curta ou longa demais pra nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.” - Cora Coralina

A 3ª QT

Na véspera, pela manhã, exames de sangue pra ver como andavam os adorados e enjoadinhos leucócitos, as hemoglobinas, os linfócitos, as hemácias e as importantes e decisivas plaquetas, que são a principal indicação de se fazer ou não a químio. Mais picadinhas - no plural, por razões já conhecidas. Até o final da tarde, expectativa pra ver os resultados, depois do sustão que os glóbulos brancos tinham me dado após a sessão anterior.
Minha mãe chegou na hora do almoço, fui pegá-la no aeroporto, almoçamos em casa e eu fui trabalhar.
Na manhã seguinte, já estávamos na Acreditar pra penúltima sessão da quimioterapia. Pesa daqui, mede a pressão de lá e longa consulta relaxante com o dr. Anderson - sempre uma boa e produtiva prosa. Depois, os mesmos procedimentos das outras vezes: punciona aqui, acolá... mais picadinhas, mais amiguinhas na sala de aplicação, sonolência incontrolável, cochilo básico e o carinho de sempre do pessoal da enfermagem.
Saímos de lá e fomos pro aeroporto pegar a Big Sister Beth, que não pôde vir na véspera. Adivinha onde e o que fomos almoçar! Quem acertar ganha um... supremo de frango! Xi, falei! Suspensa a premiação.

Companhia e colinho da mamãe (ela tá linda nessa foto, né?)


Santusa (com as gêmeas crescendo na barriguinha), Régis (“o caçador das veias perdidas”) e Maria 

Espelho





“Se você levantou os braços, dobrou os joelhos, virou o pescoço para a esquerda e para a direita e escutou um barulhinho tipo ‘crec, crec’, a cada um desses movimentos, não se assuste. Você não está velha, está crocante.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sex and the City 2: diagnóstico e revelação às amigas

Veja outros dois momentos de Samantha: quando o médico encontra o nódulo e quando ela conta o fato às suas amigas (quem passou por isso sabe o quanto é difícil).



"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade". - Confúcio

Sex and the City 1: Samantha, a quimioterapia e a peruca

A série de TV Sex and the City, aplaudida por sua discussão franca sobre a sexualidade feminina, tem como protagonistas quatro mulheres que vivem em Nova York. A sexta e última temporada abordou de forma realista a luta da irreverente personagem Samantha Jones (Kim Cattral) contra o câncer de mama.
O link colado abaixo traz um momento genuíno e tocante, quando Samantha, em tratamento de quimioterapia, participa de um evento sobre o tema. Vale assistir.


Curiosidade
Uma das quatro atrizes da série, Cynthia Nixon, que vivia a personagem Miranda Hobber, passou pela experiência na vida real. Durante 18 meses enfrentou em segredo uma batalha contra o câncer de mama, tendo retirado parte do seio afetado pelo tumor. Revelou o fato depois de vencida a luta.


“Não provoque. É cor-de-rosa choque! - Rita Lee

Pausa pra foto

Uma pequena pausa nos assuntos da Acme durante a reunião da Diretoria Executiva da Mútua.
Motivo: foto comigo!

Paulo Guimarães, Cláudio Calheiros, José Wellington, Meg, Ricardo Veiga, Geraldo Sena e Daniel Badauê Passos

Continuação da reunião no dia seguinte: com Luciano Kede
e Marquinho Sousa

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lenços, chapéus, perucas e congêneres

Muitos dos lenços que você me viu usando no vídeo clip que abre o blog são da Estação Outono, loja virtual indicada pela Amanda. São inúmeras opções de modelos que tenho variado com os bons e velhos lenços que eu já tinha. Abaixo, apenas um dos exemplos.

  
 

delicada cartinha abaixo é da Cláudia e veio com os lenços da Estação Outono.  No site, além de modelos de lenços e turbantes super descolados e práticos, ela conta como nasceu a ideia de criar a empresa e sua história com o câncer de mama e a quimioterapia. A mensagem da Cláudia no site termina com a seguinte frase: “Como as estações mudam, hoje vivo na primavera!”

COM VOCÊS... DILMA, A PERUCA!

Sim, também dei nome a ela. E, pra criar o clima, fiz um suporte bem original e personalizado. Ficou o máximo, né?



1 - Pra ser honesta, acho que usei a peruca só umas três ou quatro vezes.  É o tal negócio: você finge que acredita que as pessoas acreditam que você não está de peruca... Acredite: os lenços são bem mais práticos.


2 - Comentário da Natália:
- Meg, com esses lenços você tá parecendo aquela personagem da novela O Clone.
- Quem, a Jade?
- Nãããão... a tia Nazira!


“Nós, mulheres, somos anjos. E quando alguém, por maldade, quebra nossas asas, continuamos a voar... de vassouras, porque somos flex.”   Roubado da minha amiga Deisi Baptistella Marques, no Facebook

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Imprensa: feijão-de-corda para combater o câncer de mama

Mólecula encontrada no grão mata as células cancerígenas sem agredir as sadias

Pesquisadores da UnB (Universidade de Brasília) descobriram no popular feijão-de-corda uma nova alternativa para o tratamento de câncer de mama. De acordo com um estudo realizado no Instituto de Ciências Biológicas da universidade, uma molécula chamada BTCI, que é encontrada no grão, mata as células cancerígenas sem agredir as células sadias. As informações são da UnB Agência.

De acordo com a professora Sônia de Freitas, que coordenou o estudo, a BTCI é de uma classe de substâncias importantes em diversos eventos celulares, como resposta na infecção por bactérias e fungos e na coagulação.
Sônia explica que essa molécula do feijão-de-corda fragmenta o DNA das células doentes. Isso altera a integridade da membrana e do núcleo e cria estruturas que digerem o conteúdo das células.
Ainda de acordo com os estudos, a BTCI inibe a atividade de três enzimas - tripsina, caspase e a quimotripsina-like do proteassoma, um complexo de proteína que está relacionado à regulação do ciclo celular.
- O proteassoma é peça fundamental na divisão de células cancerígenas.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta pode garantir um tratamento com menos efeitos colaterais do que os adotados atualmente, como a radioterapia e a quimioterapia – esses dois tratamentos podem causar a morte de células sadias. O câncer de mama atinge 49 mulheres em cada 100 mil no Brasil, segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer).
A descoberta foi feita na dissertação da aluna Graziella Joanitti, que realizou testes em laboratório. Além de Sônia, a pesquisa também foi conduzida pelo professor Ricardo de Azevedo, do Departamento de Morfologia. Sônia estima que serão necessários mais quatro anos para realizar estudos em humanos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

É só uma radiaçãozinha!

Meu nome é Meg, mas pode me chamar de Angra 1, Angra 2, Chernobyl (agora ChernÓbyl - depois de 25 anos)...
Caraca, quanta radiação! Em doses homeopáticas, é verdade. Mas através de outras tantas “picadinhas” acho que fiquei meio “Fukushima” durante um tempo. Pensei até em tatuar a imagem abaixo...

Desisti, é claro, com medo de virar ícone de passeata anti-nuclear.
Mas não pude abrir mão dos exames radioativos,  todos feitos nas várias unidades do IMEB. Aliás, devo registrar o atendimento 100% em todos os níveis e fases, desde a marcação até os resultados, passando pelos exames propriamente ditos.
Tudo isso me levou a ser assídua frequentadora de salas e banheiros exclusivos, cheinhos de radiação, como eu.
Antes ser uma paciente injetada do que rejeitada...

Ninguém precisa mais manter distância, ok? Não corro o risco de explodir.
* Que Dona Redonda, o quê?! Não estou falando dos quilos que ganhei nos últimos meses; estou falando de meus sentimentos internos de "síndrome da bombinha nuclear"...



“Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”.

É só uma picadinha!


Essa história de “é só uma picadinha”, cada vez que você se depara com um novo exame é a mais pura... mentira! Perdi a conta de quantas “picadinhas” levei, desde o início disso tudo. Pra piorar, minhas veias são infanto-juvenis - aliás, mais pra infanto do que pra juvenis. E elas fazem questão de simplesmente desaparecer, quando percebem que uma agulha está se aproximando.
Pode piorar? Sim, pode! E piorou, levando-se em conta que após a cirurgia do dia 5 de fevereiro, com a retirada do linfonodo sentinela, só posso furar a mão ou braço direito. Até meu pezinho já teve de entrar na parada.
Num levantamento beeeem superficial, incluindo exames, internações, remedinhos, QTs e quetais, entre subcutâneas, intravenosas, intramusculares e outros “intras”, devo ter levado mais de 100 “picadinhas”, em cerca de seis meses!


“Vocês se lembrarão de um pouco do que ouviram, de muito do que leram, de mais do que viram e de quase tudo que experimentaram e compreenderam completamente.” - Keith L. Moore

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Flavio, o amigo que se foi

Foram sete anos de convívio quase diário com o Flávio Rodrigues, quando trabalhamos juntos na Prefeitura de São Paulo, mais exatamente no CGE, o Centro de Gerenciamento de Emergências (2000/2007). E foi uma convivência excelente, nossa e de toda a equipe: produtiva, eficiente, alegre, agitada, criativa e amiga. Uma família, com direito aos probleminhas do dia a dia de toda família (principalmente quando quatro, dos seis membros, são leoninos - o que me inclui). Não passava um dia e tudo sempre ficava bem.

Flávio e eu num Carnaval no Anhembi, em São Paulo, onde fazíamos plantão meteorológico todos os anos 

“Parabéns à equipe!” - sempre um time. É essa a imagem que fica na minha lembrança, independentemente do lugar ou plano em que cada um de nós estiver. A partir da esquerda: Adilson Nazário, Hassan Barakat, Fernando Reis, Flávio Rodrigues, Jussara Marton (homenageada no meu perfil, como uma das estrelas hoje no céu) e eu

No dia 25 de abril, o Flávio nos deixou, depois de cinco meses lutando contra um câncer de pulmão. Como eu, ele descobriu o tumor em novembro do ano passado e brigou muito contra a doença. Conversamos por telefone em janeiro e prometemos que nos cuidaríamos. Mandei pra ele o mesmo livro que a Carol havia me dado, “Anticâncer”, e acompanhei seu estado através dos amigos do CGE e da Lígia, sua mulher, pra quem eu mando um beijo enorme, desejando que ela se mantenha forte, como sempre foi.

Tentei não deixar a tristeza me dominar, pra cumprir a promessa de que me cuidaria. Então, o lema é “saudade sim, tristeza não”. Beijo grande, meu amigo!

“Saudade é a vontade do coração enxergar o que os olhos não veem".

domingo, 24 de abril de 2011

Fair play: a químio e eu

O jogo é assim: eu respeito a químio e ela me cura. Ela pode me deixar prostrada, de ressaca, cansada, irritada, careca, inchada com “efeito baiacu”, com a pele seca, as unhas fracas, com baixa imunidade, me afastar das pessoas, dos prazeres, dos passeios, me levar ao hospital... MAS ELA ME CURA. E formamos uma dupla eficiente. Nunca reclamei dela. Pelo contrário, sempre tive certeza de que ela era indispensável pra que eu me sentisse mais protegida e segura. Custasse o que custasse. E esse é o tipo de jogo que não tem perdedor.
Falando nisso, achei o texto abaixo num dos blogs visitados. Me encantei. Tomei a liberdade de inseri-lo.

ESTRANHA AMIZADE ...

Tinha tanto medo de te conhecer. Sempre que falavam de ti era pra dizer coisas horríveis, falavam que eras tudo de ruim.
Tinha pavor de saber que um dia poderia te conhecer.
Mas como a vida trás surpresas, fomos obrigadas a sermos apresentadas.
Nossa! Como foi difícil aceitar a idéia que iria conviver contigo. Perdi o sono. Fiquei nervosa. Chorei demais. Só de pensar que essa convivência seria inevitável.
Lembro-me que no primeiro dia que fomos apresentadas tremi nas bases, pensei mil coisas, rezava, pedia a Deus pra não seres tão má comigo.
Passados sete meses convivendo contigo, vi que não eras aquilo que me fizeram acreditar; hoje passastes a fazer parte da minha história de vida.
Sei que me maltrataste, me transformaste, me deixaste sem cabelos, sem cílios, sem sobrancelhas, gorda, sem imunidades, enfim tudo de ruim.
Ah! Como me deixaste feia! Quantas furadas levei!!
Não queria te ver, mas só o fato de não poder te encontrar na data marcada já ficava em pânico, que coisa maluca! Queria você de todo jeito. Como era estranho esse sentimento dentro de mim.
Hoje, minha amiga, é dia de dizer adeus. Despeço-me de ti. Não vou dizer que vou sentir saudade tua, seria hipócrita demais. Espero não precisar nunca mais de ti, mas te agradeço por tudo.
Entendi que enquanto me maltratavas estavas dando minha cura, mais uma chance de viver.
Não vamos nos despedir com lágrimas, mas com sorrisos de alegria de vitória e de missão cumprida, colocando na balança, sei que o saldo foi positivo.
Quero que continues fazendo amizades com quem precisa da tua ajuda, embora eu não deseje nem ao meu pior inimigo que venha a experimentar-te. Que a tua atuação possa ajudar a curar milhares de outras pessoas e que todos entendam e gostem de ti assim como eu aprendi a gostar. Tenho certeza que terão o mesmo sentimento que tenho por ti hoje: gratidão!
Saibas que já esqueci tudo de ruim que fizestes comigo, e só me resta dizer que foste para mim uma amiga inesquecível!
Adeus minha amiga QUIMIOTERAPIA, e muitíssimo obrigada por tudo.

Cristiane Silva -
Esta carta fiz em agradecimento a tão temida quimioterapia. E para que as pessoas que ainda vão passar por ela não a temam tanto, ela não é tão má quanto falam. Imaginem se ela não existisse o que seria de nós?!” 
(http://cristianefsilva.blogspot.com/)


“O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte” - Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Por que me tratar em Brasília?

Aposto como muita gente está pensando: “Mas por que fazer cirurgia e tratamento em Brasília e não em São Paulo, sua terra natal e que tem uma área médica de referência na América Latina?”. Talvez, se não conhecesse médicos, hospitais, clínicas e laboratórios do Planalto Central, eu mesma estivesse me fazendo a mesma pergunta. Pra tranquilidade geral da Nação, informo que estou sendo muitíssimo bem tratada e não me arrependo nadica de ter optado por Brasília, onde tenho tido atendimento super personalizado.
Isso sem contar que pude continuar trabalhando (quem me conhece sabe que sou workaholic), o que me ajudou muito no sentido de não ficar matutando e sofrendo em casa, com a cabeça cheia de bobagem.
Quanto à família, o fato de estar em Brasília trouxe um pouco mais de apreensão pela distância, mas não deixei de viajar pra Sampa e estar um pouquinho com cada um. Mãe, irmã e sobrinhas também estiveram muitas vezes comigo em BSB.
Ligação com Brasília
Vejam só as raízes. Minha querida vovó Luizinha fez questão de conhecer a Capital Federal tão logo ela foi inaugurada. Ela, minha madrinha Tilete (Luizete) e meu padrinho Arnaldo viajaram (de ônibus) pra conhecer a nova Capital em setembro de 1960, cinco meses após JK inaugurá-la.
Luizinha e Arnaldo, com o Congresso Nacional (Senado) ao fundo

Tilete e Arnaldo, com o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados) ao fundo
Todo o grupo da viagem reunido, tendo ao fundo o Palácio da Alvorada


Congresso Nacional - Anos 60


Este é o poema que minha avó fez pra Brasília, depois de conhecer a Capital. Ela ficou encantada...

Brasília

Avante, oh! povo brasileiro!

Que a estrada se abre neste instante.
Acrópole, escudo no futuro,
Serás tu, Brasília, triunfante!

Caminha, oh! gente brasileira!
Sempre confiante no porvir.
Ainda tens na têmpera, altaneiro,
O sangue de uma raça varonil.

Lá seguem caravanas ao sertão
Sentir e ver de perto a maravilha
E fruto de uma raça arrojada,
Que hoje se transforma em Brasília.

Luiza Lima Biasotto
Setembro de 1960